Rosto Remendado

Rostos

Tortos

Toscos

Pairam sobre meu horizonte

Entortados por forças maiores

Que insistem em insistir

Que as grandes dores da vida

São as menores

Por que andas, companheiro?

Se o teu destino a ti não pertence

Será que desejas, no fim,

Não sentir-se como um delinquente?

Quer privar-se da liberdade

para que

Quando a obtenha,

ela tenha mais valor?

Mas, para que, companheiro,

Se da tua história

A dor será o fio condutor?

Liberta-te, amigo!

Eu lhe compreendo!

Meu rosto antes fora torto,

Agora é puro remendo.

Sim, tenho rosto remendado

Não, não sabia costurar

Mas isso lhe garanto:

No fundo do peito

Passado o pranto

Escondem-se as instruções

De como remendar