A vantagem do dinheiro.

A meritocracia no processo seletivo.

Já peço desculpas pelas diversas generalizações aqui escritas.

A meritocracia é, normalmente, o modo de pensar de quem tem condições financeiras e se resume basicamente nisso:

O fulano de tal não tinha condições mas mesmo assim ele conseguiu o que queria. A conquista não vem de berço, vêm de dedicação e foco.

Igualdade?

Eu sempre tive condições, sempre cursei as melhores escolas e sempre tive o apoio dos meus pais. Já desisti de duas faculdades, joguei bastante dinheiro fora, e mesmo assim eles continuam me apoiando. E se eles não tivessem condições para me pagar boas escolas ou para arcar com os custos de minhas inconstâncias nas decisões?

Em primeiro lugar eu provavelmente teria que fazer uma faculdade federal — as mais concorridas do Brasil — e iria competir com as pessoas que estudaram nas melhores escolas do país. É justo? Não, não é nada justo. Eles teriam uma vantagem : nascer em uma família com dinheiro. Isso faz alguém ter mais direito à estudo e um futuro melhor?

O direito à educação é igual para todos, ou deveria ser, por isso em um país tão desigual como o Brasil a meritocracia não faz sentido nenhum. Uma pessoa que estudou em escolas públicas durante toda a sua vida compete com quem estudou em escola particulares. Quem tem condições vai para uma faculdade federal e quem não tem as mesmas condições acaba se endividando para conseguir pagar uma faculdade particular.

“Ah, mas mesmo assim alguém com condições precisa se dedicar.”

Claro que precisa. Todo mundo precisa se dedicar para chegar à algum lugar. O que diferencia é as ferramentas que são utilizadas no caminho. Tudo aquilo que dá vantagem já se configura como desigualdade. Enquanto uns conseguem pagar um professor particular para ajudar em certas matérias em que possuem dificuldade, outros tem que estudar tudo por conta própria. Enquanto uns saem do ensino médio e conseguem pagar um curso pré vestibular com materiais atualizados e ótimos professores, outros necessitam estudar sozinhos e com materiais ultrapassados. Se isso não é vantagem, eu não sei o que é.

“Basta se esforçar que você chega lá”

Não, não basta apenas isso. São uma série de fatores que, desde o início da vida escolar vão aumentando a desigualdade que acabam, por fim, eclodindo em qualquer processo seletivo, seja para faculdades ou concursos públicos. Isso está bem descrito nessa tirinha — fica minha recomendação para o blog também.

Uma utopia.

Eu até concordaria com a meritocracia se todos estudassem nas mesmas escolas, tivessem os mesmo professores, os mesmos materiais didáticos e o mesmo apoio familiar. Que tivessem as mesmas ferramentas para chegar onde almejam. Que ninguém tivesse privilégios. Porém, isso é utópico e, assim, a meritocracia sempre será ridícula e sem sentido.