E se a sua Bíblia não concordar com você?
Certa vez, em um artigo, li que os melhores conteúdos para a minha área de atuação eram escritos em Inglês e que dominando este idioma eu poderia pegar o conteúdo diretamente da fonte, sem passar por intermediários. E me lembrar disso me serviu também como inspiração para escrever esta mensagem.
Uma coisa curiosa me chamou a atenção nessa semana que passou.
Duas vezes ao mês eu acompanho a minha avó ao banco e mercado, nesta última sexta-feira lá fomos nós. Já havíamos saído do banco e paramos no semáforo quando sugeri a ela, por questões de segurança, que não deixasse a bolsa no colo, já que estávamos com as janelas abertas e alguém poderia facilmente apanhar seus pertences. Em resposta ela disse “Deus não deixa”. (A partir daqui, as palavras não são necessariamente as mesmas daquele momento, já que não me lembro muito bem, mas o contexto é o mesmo. E olha que isso não tem nem 48 horas) Pensei nisso um pouco e respondi: Mas e se Ele deixar?
- Eu confio nele — ela disse.
- Então Ele não deixa porque a senhora não quer ser roubada? Isso quer dizer que Ele deve fazer o que a senhora quer? — perguntei.
- Não — ela disse em um tom mais baixo, — porque ele sabe que eu não mereço isso.
- Mas e se ele achar que merece? — respondi.
A partir daí não tive respostas, e preferi não insistir no assunto. No entanto alguns metros depois, quando estávamos há quatro quadras de sua casa, passando ao lado da igreja onde ela frequenta, eu questionei: Vó, a senhora lê ou já leu a Bíblia? Bom, foram duas perguntas mas tive a simples resposta de sua parte “Não, eu até tenho uma Bíblia em casa, está lá, guardada”.
- E comecei a contar uma pequena história — Há alguns séculos, a igreja detinha o poder sobre a sociedade e era considerada uma autoridade. As pessoas comuns não sabiam ler e não tinham acesso à palavra por conta própria. Era necessário acreditar no que a igreja dizia… (fui interrompido e não consegui terminar o meu discurso).
- Ela disse — Eu não leio porque não consigo me lembrar do que li. Às vezes nem o que o padre falou durante a missa eu me lembro quando saio (acho que estou caminhando para o mesmo processo, reconheço esta minha dificuldade, então levo para os cultos material para anotar o que é ministrado).
Perguntei se ela me deixaria ver a sua Bíblia, logo ela consentiu ao meu pedido.
- Eu acredito no que o padre diz — me respondeu…
Esta última resposta me fez pensar na igreja nos séculos passados na questão da cobrança de indulgências. Em seguida argumentei: e se a senhora lesse e descobrisse que lá está escrito algo que a senhora não gosta? Com uma expressão de espanto, que até me surpreendeu, ela disse “Não, isso não é possível”.
Esta loooonga história me fez pensar. Você já pensou sobre o valor do Livro que você tem nas mãos? Já pensou o quanto foi investido para você poder fazer o que você está fazendo neste exato momento? Já parou para pensar que há lugares em que fazer o que você está fazendo exatamente agora teria consequências graves? E que com esta grande oportunidade você elimina o intermediário? O que quero dizer é que podemos, livremente, ler e descobrir a verdade. Você e eu somos abençoados, não há dúvidas. Então, vamos ler as nossas Bíblias e descobrir a “verdadeira” verdade?
Já há algum tempo eu estava com o propósito de ler toda a minha Bíblia em um ano, mas vinha protelando com desculpas vindas diretamente das profundezas do… Enfim, Eu precisava ler um número específico de capítulos por dia (gostaria, um dia, de compartilhar com você esta experiência incrível). Estranhamente, durante a minha leitura eu me lembrei do tempo em que eu assistia às novelas, o que já não faço há quase 10 anos (posso ouvir um Aleluia?). Ao terminar aquele conjunto de capítulos eu aguardava ansiosamente pelas novas aventuras do dia seguinte. Quando algum vilão estava prestes a morrer eu precisava encerrar a minha leitura daquele dia, então era preciso esperar até o dia seguinte para terminar. Enfim, durante esta leitura uma coisa me chamou muito a atenção. Percebi que em inúmeros versículos tanto Deus, no Antigo Testamento; quanto Jesus, no Novo Testamento ambos deixavam muito claro a sua aversão à imagens. Isso se repetiu tanto que inevitavelmente comecei a marcar à lápis os trechos onde esta idéia era exposta. Curiosamente, no dia em falei com a minha avó, após deixá-la em casa, pude ler em no capítulo 8 de Ezequiel, especificamente do versículo 10 a 12, o Senhor nos conta o que as próprias autoridades de Israel estavam fazendo: “Entrei e olhei. As paredes estavam cobertas com desenhos de cobras e outros animais impuros e de outras coisas que os israelitas estavam adorando. Setenta líderes israelitas se achavam ali, e entre eles estavam Jazanias, filho de Safã. Cada um segurava um queimador de incenso, do qual saía fumaça. Aí Deus me perguntou: — Homem mortal, você está vendo o que os líderes israelitas estão fazendo em segredo? Estão prestando culto em um salão cheio de imagens. A desculpa deles é esta: — O Senhor Deus não está vendo. Ele abandonou o país”. E em Isaías 9:16: “As autoridades guiaram o povo por caminhos errados, e por isso o povo anda perdido”. Imediatamente estas duas passagens me fizeram lembrar da história que contei anteriormente. Talvez os líderes israelitas tenham tomado esta decisão por reconhecer que precisavam de ajuda vinda do alto, mas como não tinham mais a proteção do Senhor, deveriam terceirizar este esta área. É provável também que, pelo fato de não poderem ver a Deus, depositar a sua fé em algo mais “palpável” fosse a saída.
Sinceramente, para mim, parece inconcebível alguém que segura um Bíblia e diz acreditar no que nela está contigo e logo ao abrir se depara com algo que vai de encontro com o que ela acredita e diz: “Ah, mas não é bem assim”. Temos a liberdade de crer ou não, mas, será possível acreditar somente cinquenta por cento, por exemplo? Talvez, no entanto, deixe me perguntar: E como seria obter metade da salvação? Até engraçado seria, se não fosse triste.
Acredito que a necessidade de tangibilizar seja o que, muitas vezes, nos impedem de alcançar as reais bênçãos do Céu. Olha só, é possível que quando eu disse bênçãos você já tenha pensado em objetos ou outras coisas tangíveis, não é mesmo? Não falo simplesmente disso, mas de uma real maturidade espiritual, aquela que não se alcança no mundo, mas aquela, sozinho, com os seus joelhos apoiados no chão, alcançada dia após dia.
Realmente não é fácil acreditar em algo que nunca se viu, ou que não envolva ao menos um dos cinco sentidos. Talvez, também, por isso, muitos permitem ter a sua fé baseada em água, madeira, ferro, ouro… Em Hebreus 11:1 lemos: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”. Também nesta linha adquirimos o hábito pedir a Deus que envie algum sinal, confesso, eu também já fiz isso (leia Isaías 7:11–12). Jesus mesmo falou sobre isso quando alguns fariseus queriam forjar provas contra Ele e pediram que fizesse um milagre para mostrar que Seu poder realmente vinha de Deus: “Jesus deu um grande suspiro e disse: — Por que as pessoas de hoje pedem um milagre? Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nenhum milagre será feito para estas pessoas” (Marcos 8:11–12). Após esta premissa, o que dizer das imagens?
Esta dificuldade de crer no “invisível” acaba nos afastando da realidade. E se não conseguimos crer nisso, como creríamos no Espírito Santo? Durante a minha leitura do Antigo Testamento, pude perceber, inúmeras vezes, em que o Senhor falava de forma implícita sobre Jesus e o Espírito Santo, que estaria dentro de nós, em Provérbios, Isaías e Jeremias (Pv 30:4; Is 9:6–7; Is 11:1–5; Is 11:10; Is 16:4–5; Jr 23:5–6; Jr 30:9; Jr 31:31–34). E como prometeu, Ele enviou Jesus. Hoje não O temos em carne e osso, mas, no Novo Testamento podemos ler que o próprio Jesus falou sobre o Espírito que estaria conosco, após Ele, para sempre (Jo 14:15–17; Jo 14:25–27; Jo 16:12–15; Jo 17:26–27). Somos livres, não precisamos viver presos àquilo que podemos ver, ouvir ou tocar (João 8:36 e Gálatas 2:20) e nem engolir o que nos é dito.
E também, enquanto tivermos a nossa fé baseada em pessoas e coisas iremos nos decepcionar, nos entristecer e, quem sabe até, abandonar o caminho. Enquanto não encontrarmos o verdadeiro autor da obra vamos ficar pulando de igreja em igreja, procurando um lugar que se adapte a nós, ao nosso jeito de ser, aos nossos gostos. Não insistamos nisso. Padres, pastores e pregadores são humanos, e são falhos, as vezes erram. E como disse certa vez o pastor da minha igreja “E eles precisam errar, se não errassem não veríamos a Glória do Senhor sobre suas vidas?”. Leiamos as nossas Bíblias que lá, tenho certeza, encontraremos a verdade, a verdade que liberta, que transforma (João 8:31–32). Por que (2 Coríntios 2:16).
“Como são admiráveis as pessoas que se dedicam a Deus! O meu maior prazer é estar na companhia delas” Salmos 16:3.
Just a little pray: “Não olhes para os meu pecados e apaga todas as minhas maldades. Ó Deus, cria em mim um coração puro e dá-me uma vontade nova e firme! Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu santo Espírito. Dá-me novamente a alegria da tua salvação e conserva em mim o desejo de ser obediente. Então ensinarei aos desobedientes as tuas leis, e eles voltarão a ti” Salmos 51:9–13.
Graça e Paz!