Brisa

Corpo deixado num quarto fechado.
Espírito em ambiente inóspito guardado.
Brisa de divindade o meu quarto alcançaste.
Sem cordas a agarrarem-me a minha alma libertaste.

Cerne impelido por pele rompida.
Âmago liquefeito por radiação ardente.
Astro resplandecente que queima escudo impotente.
Fonte de beldade no meu peito esculpida.

Rendido num suave movimento ímpeto.
Sugado por teu vento centrípeto,
à luz de uma harmoniosa claridade,
depara-se substância de máxima opacidade.

O teu intimo, a minha atmosfera
Ar que respiro, palavras que expiro.
Carinho que exalo, mulher que inspiro.
Camada tóxica que me cega, flor de primavera.