Morte

Vagueava cercado de um nevoeiro vigilante.
Senti a presença de um vento arrepiante.
Sufocado por este fumo que me deixava asfixiado,
Meu corpo fez-se cair desmaiado.

Desorientado, por uma voz fui chamado.
Arrependo-me seriamente de ter olhado.
Esboço de corpo humano à minha frente deparado.
Coberto de negra fatiota suspirou irado.

“Levanta-te germe genocida ambiental.
Tu que fizeste do carvão objeto instrumental.
Sentimento de culpa para ti apenas sazonal,
uma porta abriste para uma dor adimensional.”

Num mesmo instante espancou o chão com uma foice que segurava.
Aí o alcatrão fez-se vidro rachado que realidade dura mostrava.
Plantas carbonizadas por tubos vulcânicos artificiais.
Ar conspurcado por cinzas expelidas dos demónios industriais.

Com a cara esfregada no magma, fui arrastado.
Num grito esganiçado, minha face crestada.
Para o abismo do esquecimento fui arremessado.
Terra fez-se de alimento e a minha alma para o inferno foi escoltada.