Pulsar

Orgão tingido de rosas calmamente pulsando,
ao som da tua voz exalta-se disparando.
Fluído corado no organismo traça tua face.
Se o meu coração o pincel usasse, talvez a tua beleza partilhasse.

Vénus conspira contra meus batimentos num mar imersos.
Vales enigmáticos do teu lado, dunas reveladas do meu lado
Focado em teus cristais de vidro, meu cordial calado.
Uma aragem de natureza divina, ao vazio se tentam os versos.
Numa corrida eterna, imaginando que à perfeição subiriam.
Um manto de ternura o teu céu cobririam.

Olhas-te ao espelho… e o que és afinal?
Eu vejo uma flor revestida de tecido real.
As asas refletem-se, embora não consigas voar.
Muitos te tentarão consertar,
ingenuidade daqueles que nunca te souberam interpretar…

Vénus…Vénus…
Flor pura entendo abraçar, mas tu ordenas-me afastar…
Por ser homem achaste que seria mais fácil esta ferida suportar?
Julgas que da dor mereço ser portador?
Pensas que da solidão um hino iria compor?
Supuseste mal vénus… Não acato ordens de ti! Tenho uma alma para enternecer!
Decerto que estou a escrever mas apenas para este mal combater…