Sr Padre

Fiz tua cruzada meus passos.
Contra os infiéis, os estilhacei em pedaços.
Gritas o meu nome angustiado.
A teu serviço regressei fatigado.

Que deslumbramento meu
Quando entro em espaço seu.
As sombras, a cidade invadida
Raios de sol, a igreja aquecida.

Ah! Esses vidros estridentes.
Pinceladas escondem realidades decadentes.
Bom dia sr pa…, perdão.
Boa noite sr padre, onde já vai a escuridão.

Os meus pés sobre sua alçada,
no entanto alma já cansada.
Não busco perdão…
Apenas compreensão…

As trevas alastraram-se hostilmente.
Deus a minha voz ignorou deliberadamente.
Cidade abandonada pelo criador do universo
Pântano tingido de sangue, o mundo submerso.

Na ausência de deus fiz-me missionário.
Padre não se entusiasme… Sou um missionário da justiça.
Não se engane… Sou o justiceiro que leva a verdade que o punho cobiça.

Sabe sr padre, decerto surdo ancião.
Eu oiço a imploração, o choro da população,
Que foi traída, vendida pela corrupção.
Chame-me anti-herói, mas o povo o preveni da decepção.

Deixe-me agora partir.
Sintomas tóxicos não deixam de surtir.
Irónico que só agora meus atos o atrai.
Cumprimentos ao pai.

Àmen