A violência dos gamers

Não, não vou falar sobre a violência dos jogos, nem se isso influencia a violência ou algo do tipo, nada disso. Este texto é para falar da violência naturalizada dos usuários.

Então, bem antes de eu me entender por gente, eu já jogava videogame. Jogo até hoje e, como disse no outro texto, uso como “café” para me deixar acordado nas madrugadas de produção (textual, estudos etc.). Atualmente (há dois anos) só um jogo tem me prendido atenção: Tekken Tag 2. Para quem não conhece é um jogo de luta em três dimensões - só que, isso não é resenha sobre o jogo, quem tiver interesse tá aí um vídeo. Pois bem, para além de me deixar acordado, me divirto jogando, mesmo perdendo; às vezes xingo, mas nada exagerado. O problema é quando ganho. Recebo diversas mensagens de jogadores me xingando. E engana-se que isso seja só de usuários brasileiros, chilenos, peruanos, norte-americanos e espanhóis gostam também de xingar.

Há mais ou menos 3 meses, um usuário, depois de perder quatro partidas seguidas, me enviou uma mensagem me xingando, ou pior, minha irmã e minha mãe. Além do habitual “filho da puta”, dizia que minha mãe era uma prostituta e que minha irmã deveria ser estuprada. Na hora, sinceramente, comecei a rir e pensei: “ah, mais um adolescente mimado que não sabe o que é perder”; por isso, nem o respondi.

Na semana passada li uma reportagem sobre uma famosa blogueira norte-americana de games que resolveu agir de forma diferente aos usuários que a xingavam: conseguiu identificar um deles e, com isso, achou o perfil da mãe dele. Enviou uma mensagem para ela perguntando se era a mãe, depois mandou os prints da mensagem do filho dela dizendo que iria estuprá-la. A mãe, obviamente, ficou horrorizada e envergonhada, pediu desculpas e disse que iria conversar com o filho.

Diante disso, eu resolvi responder o garoto que tinha desejado que minha mãe e irmã fossem estupradas. Foram duas mensagens das quais eu disse que era muito feio ficar desejando isso e que, isso era apologia ao estupro, ou seja, crime, poderia ir na delegacia prestar queixa dele. Ele respondeu a mensagem me xingando, dizendo que eu poderia fazer b.o. que ele não tinha medo.

Eu até cheguei a pensar na possibilidade de fazer esse b.o. mesmo só para dar aquele “susto” e ele não achar que a internet é um “mundo sem leis”. Saí reunindo mensagens de outros usuários que me xingaram só para aproveitar a ida na delegacia. Pois bem, ontem a noite (03 de janeiro), o dito cujo me manda uma mensagem:

O restante da mensagem dizia que ele não tinha medo de b.o. e voltou a me xingar de “otário”.

Depois o respondi:

Muitas vezes por a gente não se encaixar numa determinada minoria social, ignoramos agressões ou até mesmo reproduzimos. Eu não sou mulher, mas não poderia simplesmente ignorar tal agressão, como havia feito. Eu precisei ver uma situação vivenciada por uma mulher (blogueira), sendo problematizada por ela, usando outra mulher (a mãe do agressor) para iniciar uma discussão desse tipo.

Talvez digam que minha resposta contra agressões desse tipo podem não surtir efeito. Porém, a intenção deste texto, é fazer com que outros usuários homens, que estejam na mesma condição que eu, que façam uso dessa condição para coibir adolescentes assim. E não pensem agressões se limitam somente à mulher, elas são também são homofóbicas.

Hoje, pode ser só uma mensagem num simples jogos de videogame; amanhã poderá ser algo mais pesado.

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