Cinco vezes em que a Maria Bethânia foi grossa por mim

Pollyana de Moraes
Jul 27, 2017 · 3 min read

Não mexe comigo que eu não ando só! Que eu não ando só!

Eu te pergunto: Quem te deu tanto axé?

Imagine que a vida é um ringue. Eu estou lutando — e perdendo — mas, de verdade, quem é que não está? Maior crise econômica, ética e política que a geração mi-mi-mi-millennial já enfrentou do alto de seus 30 e poucos anos. Aguardando o dia em que os humilhados serão exaltados e que seja nesta semana ainda.

Se a vida é um ringue e os adversários são maus e muitos, eu só sigo lutando porque alguém me treina. Esse alguém é a minha mãe. Já implorei para descer. “Mãe, quer saber de uma coisa, foda-se, vou sumir, tirar um sabático”. O máximo que ela faz é me passar vaselina na cara e me botar para dentro de novo. Que mãe é essa?

Como diz o grande filósofo Silvester Stallone em “Rocky”, forte não é aquele que mais bate, mas quem apanha muito e não cai.

Bom, pelo menos, na luta há um juiz. Ele é o meu pai. Já parou não sei quantos assaltos, deu logo a vitória para os adversários, que “foda-se quem está ganhando, eu quero a minha filha bem”, e me mandou várias vezes de volta para debaixo da saia dele (porque lá em casa quem usa saias é o pai).

Mas meu pai não aprendeu a ser assim sozinho. Ele foi treinado pela Tia Landinha, que uns cinco anos de morrer, cravou: “Podinha, já falei para o seu pai que é para ele não deixar vocês irem morar no Rio de Janeiro, que isso cansa muito, faz até mal. Eu dou metade da minha aposentadoria para vocês”. Linda.

Ô tia Landinha, a senhora por acaso conhece a minha mãe? Ela jamais permitiria que eu desistisse de um, unzinho que seja, entre os muitos sonhos que tenho. Então eu vou ficar é nesse ringue mesmo. O pai apita, a mãe limpa o sangue e me bota para dentro again and again.

Mas não sem uma trilha sonora. Aqui é que entra a Maria Bethânia do título. Hoje, em que estou especialmente serena, num dia de veranico e vento leve, mas não menos BÉLICA. Melhor adjetivo. Ouçam vocês também a trilha sonora da PORRADARIA.

1 — “Você não me pega, você nem chega a me ver. Meu som te cega, careta! Quem é você? Seu olho me olha, mas não me pode alcançar. Não tem escolha, careta. Vou lhe descartar” (Reconvexo ❤)

2- “Pra rua, se manda, sai do meu sangue sanguessuga que só sabe sugar. Vagaba, vampira, o velho esquema desmorona dessa vez para valer. Tarada, mesquinha, eu lhe pergunto quem te deu tanto axé?” (Não enche ❤)

3- “Acabei com tudo, escapei com vida. Tive as roupas e os sonhos rasgados na minha saída. Mas saí ferido, sufocando o meu gemido. Fui o alvo perfeito, muitas vezes no peito atingido. Animal arisco, domesticado esquece o risco. Me deixei enganar e até me levar por você. Eu sei ,quanta tristeza eu tive, mas mesmo assim se vive” (Fera Ferida ❤)

4- “Você que inventou o pecado, esqueceu-se de inventar o perdão. Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia?” (Apesar de você ❤)

5- “SE EU SOU ALGO INCOMPREENSÍVEL, MEU DEUS É MAIS”. Mistério sempre há de pintar por aí. Não adianta nem me abandonar (não adianta não). Nem ficar tão apaixonada, que nada” (Esotérico)

É ISSO POR HOJE. ❤

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