Emmys 2016: o poder da diversidade

Pergunta rápida: você sabe o que acontece quando o mercado abre uma brechinha de espaço para que a diversidade possa soltar sua voz em produtos audiovisuais na TV americana? ELA GANHA PRÊMIOS.

A prova disso foram os resultados do #Emmys2016, que rolaram ontem, dia 18/09. Todo mundo já havia notado como as indicações estavam muito mais plurais e um pouco mais equilibradas que os primos ricos #Oscars. Entre vitórias esperadas e merecidíssimas (#JUSTICEFORTATIANAMASLANY ❤), os Emmys foram entregues para uma TV americana que está mudando, aos poucos, as pautas e o cenário hollywoodiano de produções — não é de hoje que se fala da qualidade superior das séries em comparação ao cinema do país.

A gente separou os melhores, mais políticos e emocionantes momentos da premiação, vem ver:

Amy Schumer no Red Carpet

Começamos bem com a Amy Schumer, cansada da pergunta cliché “quem você está usando”, respondendo: “Vivienne Westwood, Tom Ford e um O.B.”

Transparent: Jill Soloway e Jeffrey Tambor

A série Transparent levou prêmios importantes como direção em comédia — para Jill Soloway YAYS! — e melhor ator em comédia — para Jeffrey Tambor. Em seu discurso, Jill nos fez levantar e aplaudir a TV quando ela não só pediu o fim da violência contra mulheres transgêneros como também mandou a frase: TOPPLE THE PATRIARCHY! (livremente traduzido para TOMBEMOS O PATRIARCADO. Já que é pra tombar…)

Veja o discurso todo aqui: http://bit.ly/2cTAQ4M

Tambor aproveitou seu discurso para dedicar o prêmio à comunidade trans e pedir mais chances aos talentos, dizendo que ficaria muito feliz se ele fosse o último cis a interpretar uma pessoa trans. A musa Laverne Cox ecoou o sentimento em seu momento no palco, pedindo: “Deem uma chance ao talento trans”.

Kate McKinnon vencendo seu primeiro Emmy

Kate venceu o prêmio de melhor atriz coadjuvante em série de comédia, se tornando a primeira integrante do casting recorrente de Saturday Night Live a ganhar o prêmio pelo trabalho na série. Ela agradeceu à Ellen Degeneres e Hillary Clinton, mulheres icônicas que ela representou em alguns sketches do SNL. Lembrando que Kate é lésbica, o que traz mais um prêmio para o vale LGBT.

Susanne Bier: melhor diretora em minissérie

Assim como com o prêmio de Jill Soloway, a alegria da noite foi ver mulheres ganhando prêmios em categorias tradicionalmente dominadas por homens. Em edições anteriores, sequer haviam mulheres indicadas a melhor direção de minissérie. Ontem, Susanne Bier venceu o prêmio pelo seu impecável trabalho em The Night Manager (que super recomendamos!)

O discurso de Julia Louis-Dreyfus

Além de bater o recorde de vitórias na categoria de melhor atriz de comédia (com 6 prêmios), a protagonista de Veep fez comentários maravilhosos sobre a política atual dos Estados Unidos. “Eu gostaria de pedir desculpas pelo atual clima político. Acho que Veep derrubou as barreiras entre comédia e política. Nossa série começou como uma sátira política e agora parece mais um sombrio documentário”. Ironizando Trump, disse que se for eleita, irá reerguer “o muro” e fazer o México pagar por isso.

Amy & Tina sendo perfeitas, como sempre

As deusas feat. musas fizeram história nos Emmys, recebendo em dupla o prêmio de melhor atrizes convidadas (pelo episódio em que apresentaram o SNL). Essa é a primeira indicação e vitória de uma dupla de atores e não tinha ninguém melhor pra dividir um Emmy que essas duas né?

O discurso de Sarah Paulson

The People v. O.J. Simpson foi uma das séries mais premiadas da noite. Entre as vitórias, Sarah Paulson por melhor atriz em minissérie. Sarah não só levou a promotora real do julgamento de O.J., Marcia Clark, como também pediu desculpas a ela pelo julgamento que a mulher sofreu na época. Além disso, Sarah também mandou um “I love you. thank you.” durante seu discurso para sua namorada, a atriz Holland Taylor. ❤

Sarah, com seu prêmio, e Marcia Clark, a personagem real

Tatiana Maslany finalmente sendo reconhecida

Só podemos dizer: AMÉM AMÉM ALELUIA! Depois de quatro temporadas ARRASANDO, interpretando múltiplos papéis, tivemos justiça para Tati! Além disso, ela fez um discurso lindo falando como se sente honrada de vencer por uma série que coloca mulheres no centro da narrativa. #CloneClub

RuPaul snatching trophies!

Na semana passada, os prêmios do “Creative Emmys” foram entregues — é uma seleção de prêmios técnicos que não entram na premiação tradicional. E, fazendo HERSTORY, nossa Mama Ru levou o primeiro Emmy de sua carreira por apresentar o reality RuPaul’s Drag Race. CAN I HAVE AN AMÉN?

Bônus point: Rami Malek & Master of None

Contrariando a maré de homens brancos vencendo prêmios que dominou durante tantos anos as premiações, Aziz Ansari e Alan Yang levaram o prêmio de melhor roteiro para série de comédia, por Master Of None. No discurso de Yang, ele agradeceu mas lembrou como a comunidade asiática americana ainda é esquecida e estereotipada nos filmes e séries. “Ainda temos um longo caminho pela frente”.

Outro merecido prêmio foi o de Rami Malek, vencendo na categoria de melhor ator em drama por Mr. Robot. Rami é americano com ascendência egípcia e grega e bateu nomes como Kevin Spacey, Matthew Rhys e Kyle Chandler, sendo o primeiro ator não-branco a vencer o prêmio em 18 anos. Em seu discurso, o ator agradeceu a oportunidade de honrar os “Elliots” do mundo, em referência a seu personagem que sofre de transtornos mentais na série. “Eu interpreto um jovem que, como muitos de nós, é profundamente alienado. Infelizmente, não sei quantos de nós seríamos amigos de alguém como ele, mas quero honrar os Elliots do mundo, porquê há um pouco dele em cada um de nós.”

Rami, SEU LINDO ❤

Por essa temporada de premiações é só, migas. Foi bom, ainda há o que melhorar e estaremos aqui assistindo, apoiando e, claro, problematizando!

E pra você: curtiu a premiação? Quem foi injustiçado? Qual o melhor discurso? Esquecemos algum momento icônico? Comenta com a gente!

beijos dourados,

Marina Burini, Nana Soares, Teresa Perosa.