UM PAI QUE ACREDITA

Pra quem ainda não sabe, bem, MEUS FILHOS NASCERAM (Fireworks in the air). E com eles vieram novas percepções e avaliações da vida e da fé que professo seguir. Dentre as centenas transformações que estou vivendo, uma é muito intensa e, tenho a impressão, que vai me acompanhar agora pelo resto da minha vida: é a de ser pai! Sim, o impensável, o inimaginável aconteceu: eu me tornei um pai. Na verdade, fui tornado pai. Deus, que é Pai, achou pouco eu ser pastor e esposo. Algo faltava. E daí o Dani e o Lipe chegaram! E tudo mudou! Tu-Do!

Umas das coisas que mudaram foi uma leitura de um pai em relação ao seu filho que nem o conhece ainda. A outra é a relação marido e mulher. De fato, não dá pra criar filhos sendo apenas um sozinho, precisa ser um em dupla! Sobre o amor dos pais em relação ao recém nascido é um amor de mão única. Sim, porque eles não tem nenhuma referência. Aliás, quem passa a referência é os pais. Os filhos vão amar, porque foram amados primeiro. A mão única, talvez, passe a ser a filosofia de vida dos pais. Amar simplesmente porque eles são os filhos; e pronto. Os pais não amam, porque os filhos têm as aparências que eram esperadas pelos familiares, ou porque eles são bons alunos, ou porque possuem habilidades incríveis. Isso é fichinha perto do que eles são. São filhos, e isso basta.

Enquanto escrevo esse texto, os meus estão em incubadoras, um em cada. E como eu amo essas incubadoras. Eu as amo, porque elas carregam o meu maior tesouro nessa vida. Dinheiro, fama, reconhecimento, enfim, tudo isso se desintegra diante de um sorriso que eu consigo tirar deles, mesmo ali, naquelas caixas cheias de fios, cabos e tubos. E daí, eu acabo entendendo o que João quis dizer, inspirado pelo Pai, quando escreve que “Deus amou o mundo”. Sim, ele estava dizendo que Deus ama essa incubadora que retém Seus filhos presos a cabos, fios e tubos. Dependem de grana, de comida, de afetos, de toques, de reconhecimentos, mas o Pai está nem aí pra isso. Ele só quer tirar um sorriso de nós. A gente querendo agradá-Lo e, quando na verdade, o que Ele quer é nos agradar! “Agrada-te do Senhor”, diz o salmista.

Eu aqui mal posso esperar a saída deles dessas incubadoras. Sabe por que? Quero mostrar pra eles sua família, sua casa, seus parentes, os amigos dos pais, sabe, aqueles que fizeram o chá de bebê deles, que deram roupinhas que eles estão usando, que cederam a sua casa para que os pais deles morassem por um tempo, que organizaram a limpeza da casa e do quarto deles. Enfim, quero mostrar pra eles que a vida é muito além daquelas incubadoras.

Agora pensa comigo aqui: imagina Deus! Ele olha pra essa incubadora que a gente insiste em chamar de casa e Ele doido pra mostrar pra gente o que Ele sabe além daqui. A gente chama essa incubadora de vida e Ele chama a não incubadora de vida! Enquanto meus filhos entendem que a vida deles é aquilo, só posso esperar a hora deles saírem de lá; só isso! E enquanto eles não saem, eu vou mostrando pra eles um pouco daqui de fora. Como? Mostrando presentes ou coisas? Nada disso. Eles sabem que tem vida além daquelas incubadoras, porque eles sentem uma portinha abrir e uma mão vinda do além, maior que eles, que os toca, os conforta e os faz reagir ao toque. Simples! Eles não estão vendo ainda!

Quando eu vou visitá-los, vejo os movimentos deles, a vitória deles em relação às dores que desde cedo já estão enfrentando. Não penso em justiça, não penso onde eu estava quando vi um deles arrancando um dos cabos de ar ou quando o outro segurava a sonda do alimento pronto pra puxar. Não pensei em nada disso. Só estava ali. Talvez Deus seja assim. Enquanto nos debatemos tentando arrancar a dor e o incômodo de se estar aqui, vejo Deus olhando e fazendo o que faço nessas horas, acariciando minhas mãos pequenas e meu peito frágil dizendo pra me acalmar.

Eu torço e vibro com cada vitória dos meus pequenos. Vibro! E vejo Deus vibrando comigo! Quando chego na UTI neo natal e recebo alguma notícia de recuo deles em qualquer área, não fico culpando-os pela falta de fé, pelo relaxo ou pela falta de compromisso. Eu apenas fico ali, fazendo o que todo pai faz: Eu apenas acredito neles!

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