A semente do masculino sagrado

Ontem, nós, um círculo de homens vivemos uma noite mágica. Abaixo de uma árvore dos desejos e ao redor do fogo sagrado fizemos uma cerimônia de pagamento a natureza e de resgate de identidade.
Naturalmente, com o pensamento na natura humanidade integramos o território em nosso rito de passagem observando cada palavra e cada signo presente em um encontro de sacrifício a natureza e transmutação.
O masculino que estava em busca de um entendimento, o que havia levado a eles e a mim a responder um chamado para o masculino em volta ao fogo?
Enquanto organizávamos o local, limpávamos nossos corações como uma oferenda ao passado, aos nossos ancestrais, cada folha seca, galho, e palha depositada ao centro da fogueira representava um sentimento de aprendizado passado entregue a transmutação, em uma oração ao fogo, para que encaminhara esses sentimentos a seu devido local.

Seguimos para a escuta profunda. Cada participante nos trouxe uma palavra. Trabalhamos investigando as palavras apresentadas como o sentir da culpa do masculino inocente, aquele que não é capaz de reconhecer o dano causado, perdoamos e fomos perdoados. Geramos um compromisso com masculino sensível, propagar a sabedoria ancestral, continuar alimentando o fogo e o rezo interiormente.
Escutamos a palavra traição. A traição como entendimento de que traímos nós mesmos antes de trair uma companheira ou companheiro. Oferecemos a nós a palavra disciplina como ser discípulo de si mesmo, de valores e virtudes que nos fazem ser guardiões das sementes. Recuperamos o sentido de sermos casas de sementes. Protetores por assim dizer, de todas as sementes, humanas e de outros reinos.
Plantamos e distribuímos sementes representando esse resgate e este entendimento. O círculo tornou-se um confesso. Confessamos por palavras nossos sentimentos, nossas dores e logo chegamos a alegria.

Cantamos! Invocamos a maestria, a sabedoria dos avôs, nos reconhecemos como parte da espiral de identidade que trás adentro um maestro interior, o invocamos, oferecemos a eles três desejos de serviço a natureza, aos elementos e a terra. Mais um compromisso com o pensamento semente.
Seguimos para escutar as histórias que nos ensinavam, nos aproximamos da verdade interior. Observamos a qualidade de nossos pensamentos, constelamos nossos bloqueios e seguimos afrente alimentando o fogo sagrado como testemunha. Honramos o feminino sagrado, dentro e fora.
Compreendemos o encontro como um rito de passagem. Homens com dúvidas transformando-se em crianças-avôs, com certezas de servir as sementes. Os protetores da sementes finalizaram o encontro com um rezo, plantando a semente do pensamento com convicção de que o círculo deveria continuar.
Ao final da noite, quando quase todos haviam ido, me senti muito fraco e com tonturas. Senti que a cerimônia não estava completa. Voltei a fogueira e ofereci meu rezo como pagamento a esse sentimento, essa reclamação. Éramos dois. Um velho novo diferente.
Meditando com o maha mantra compreendi que era esse um pedido de alimento. O que vivemos estava sendo solicitado a ser vivido por muitos e a oração foi o compromisso de continuar oferecendo o encontro como sementes dos desejos, sempre como um entendimento de que sem sol, água e terra, não existem frutos.
Esta é a lei original ancestral. Estava completo o círculo, honrando o pai sagrado e mãe sagrada com o rezo, meu mal estar havia passado, e a mensagem foi: sem agradecimento prático não existe integração verdadeira do território.
A arte de agradecer é um mistério, é um processo que vai além do ato, da palavra. Havíamos todos realizado esse procedimento, mas, não foi suficiente. Foi preciso realizá-lo com intensidade, com força. Foi preciso entregar-se a ele e esperar que ele respondei-a por meio do sentimento. Senti-me em paz e feliz, o pensamento semente havia sido plantado.
Fui então dormir em paz, com a certeza de que havíamos realizado uma troca sistêmica efetiva nessa noite com o território interno e externo. Participaram membros de ministérios do governo brasileiro, da polícia militar, do sistema financeiro entre outros. Constelamos um laço afetivo e sensível de confiança em nosso papel de protetores da sabedoria ancestral masculina: servir e proteger incondicionalmente todas as formas de semente e de vida, com o pensamento, ação e entrega. Que bonito vivenciar essa experiência em Brasilia, nesse momento em que vive o Brasil.
Todas as glorias a Sri Guru e Gouranga e aos povos ancestrais e os círculos sagrados.
