O recordar dos avós da consumo visão

Sou mais um neto da consumo visão, materialista, explorador, consumista e ávido por lavrar um ímpeto desejo de competir, acumular e esforçar-se pelo temporal. Uma dádiva para os sentidos. Desfrutar momentos curtos com os louros do sucesso condicional, da fama social e do orgulho do culto ao resultado.

Considero tempos difíceis, mas tempos necessários.

Afinal, o que seria do tempo se esse não passará por todos os ciclos? Demasiada crítica receberia.

Segundo a cosmo visão védica estamos na era em que a consciência de pratica da vida espiritual não é favorável. Muitas almas desejam desfrutar esse ciclo, vivemos o que desejamos manifestar. Uma jornada fugaz, curta e cheia de intensidade.

Também é de notório saber que nesse ciclo, muitos não conseguem aproximar-se do essencial, vivendo ciclos de morte e renascimento por este condicionamento ilusório.

São mais 8.400.000.00 formas de vida condicionadas ao conjunto de acoes e reações.

Estou deslumbrado com as cosmovisões, ou, as visões de mundo. Nelas afirma-se: não somos somente um corpo físico, mas sim constituído de vários tipos de corpos sutis, chegando ao núcleo de uma entidade vivente eterna, e lá também encontramos a parte fragmentária da energia do criador, ou como eles a nomeam, super alma. Somos entidades vivente, consciências eternas.

Deus é uma pessoa e é também uma energia. É tudo. Se expande em energias e diversas manifestações. E assim chegamos a uma ATMA ou uma unidade infinitesimal da consciência original.

Somos por constituição servidores da eternidade.

Temos uma oportunidade única segundo os sábios, gerar um vinculo eterno com a fonte, durante nossa passagem pela vida.

Nascer num corpo humano, dentre 8.400.000.00 formas é uma oportunidade incrível segundo os sábios. Você pode usar sua inteligência para expandir sua consciência e compreender quem é você em sua verdadeira forma transcendental.

Essa forma é uma servidora da verdade. Esse é o propósito de uma entidade vivente, buscar a verdade para compreende-la e servi-la.

Para compreender esta afirmação existe a necessidade de resgatar a memoria de nossos ancestrais e compartilhar-la. Reforçar sobre algumas situações sobre o nosso próprio sentimento perante o intangível e a importância de aproveitar a vida para desenvolver um vínculo duradouro com a eternidade.

Os nativos do povo Kamayurá do Alto Xingu, acreditam em dois tipos de tempo. O tempo dos ancestrais e o tempo da viagem da alma. Eles alertam que a alma que se manifesta aqui nesse mundo em que vivemos esta sofrendo de uma espécie de doença, que poderia ser interpretado em uma meta linguagem de apego a essa realidade.

Esse apego é o que faz você renascer. A meta é encontrar o caminho da morada dos ancestrais e não retornar a esse plano, você ao nascer já é considerado um ser que não encontrou o caminho de volta. É incrível como essa visão de mundo, aqui dos povos originários do Brasil são semelhantes com a visão de mundo do oriente.

Os Kamayurá alertam que no momento da morte a alma empreende um caminho cheio de perigos e que nos afastam do caminho correto para a morada dos ancestrais.

Esse caminho é a oportunidade para não renascer no mundo material, mas que muitos falham por distração.

As escrituras vedantas falam algo similar: No momento da morte, caso você não estiver suficientemente preparado para fixar sua mente na suprema personalidade de Deus, você poderá desviar o pensamento, dando a sua mente no momento da morte o controle através de pensamentos aleatórios, determinando o seu próximo nascimento não através da consciência.

No sistema védico existem três tipos de mundos, o mundo material, material sutil e espiritual. Uma vez que sua consciência adquira o estado de consciência transcendental você mesmo estando no mundo material poderá alcançar o nível de consciência que existe na morada eterna, isso chama-se, desenvolver amor puro pela Divindade.

Ao desenvolver amor puro, renascer e morrer novamente no mundo da viagem das almas (mundo material) não será mais necessário.

A vantagem do mundo dos ancestrais ou chamado de mundo espiritual, segundo essas cosmovisões é manter presente sua verdadeira forma transcendental. O corpo espiritual é eterno. A prova, ou o caminho é estar fixo no vínculo com o criador no momento da morte, para isso, os dias são utilizados pelos mestres como treinamentos para este momento.

Na consumo visão fomos ensinados que devemos lutar pela sobrevivência. No entanto isso nos obriga a condicionar nossa vida e nossa rotina em teoria e prática, esforçando-nos para trabalhar, dormir, defender-se, alimentar-nos e reproduzir-nos. Passamos toda nossa existência reproduzindo um modelo de vida.

Estabelecer um vínculo de respeito, de agradecimento e de sentimento com a nossa verdadeira identidade, a alma, ela está residindo no seu corpo sutil.

Na região do coração esta localizada a super alma, nosso corpo mesmo é um templo, uma das muitas moradas do divino.

Ao intoxicamos nosso corpo, nosso templo, estamos cometendo ofensas.

Devemos estar atentos quando não reconhecemos em nosso corpo a morada da centelha divina, da expansão do criador que habita nosso ser como nosso guia interno. A consumo visão nos afasta dessa consciência, estamos sendo sempre condicionados a consumir demasiado, qualquer tipo de produto, sem ponderar, cigarros, cerveja, carne, essa é a cultura da ofensa da distração do caminho do ser humano.

E porque a Carne é uma ofensa? A carne é considerada parte de um corpo de um ser, um templo da super alma, o corpo de outra entidade vivente que deveria devolvido no momento de sua morte a terra. Até mesmo um animal, que seria uma alma, habitando essa forma temporariamente, tem a expansão da super alma em seu corpo.

Alimentar-se de algo que produz sofrimento é considerado violência e reproduz violência.

O principio da não violência é algo fundamental para que o estado de consciência possam tornar-se transcendental ou espiritual. Os povos ancestrais que caçam sabem dessa lei, de matar agora, mas em outra vida ser morto para alimentar a quem foi cassado.

Se alimentamos nosso corpo, templo, de sofrimento, o que vamos gerar em nossos pensamentos e nossa mente? Chegamos em um ponto importante: a mente. A mente é muito difícil de ser controlada. Quando condicionamos ela custa-se a mudar nossos comportamentos. Quantos de nós passou um tempo fazendo algo que sabia que não era saudável e custou a mudar, ou até mesmo, ainda continua tentando mudar?

É preciso ficar atento a uma palavra mágica: a prática espiritual.

Sem uma disciplina para condicionar a mente em hábitos saudáveis ela vai disciplinar-se sozinha em hábitos que não são saudáveis, isso inclui o pensar. Já o neto mais jovem da consumo visão esse que nasceu recentemente, pensemos na condição em que o mundo atual esta. Ele pode crescer participando de um churrasco, inalando a fumaça de um cigarro, sentindo o cheiro e as vezes o gosto da cerveja, com estas praticas, estamos nos tornando sábios da consumo visão, sabemos bem como consumir qualquer substancia.

Estamos ensinando a os jovens a maestria do consumo, o exemplo de cultivar hábitos nocivos. Quantos conhecemos o bom viver? E do desprendimento da alma de nosso corpo, ou sobre o que é a morte?

A morte é o objeto essencial para que nós tenhamos o interesse de analisar a cosmovisão com profundidade.

Consideremos que o senhor seja um avô nesse momento, um abuelo da consumo visão tradicional, ou vira a ser. Tem seu sucesso financeiro, sua vida religiosa, sua família formada. O que esse arquétipo considera prioritário nesse momento da vida? Trabalhar? Aposentar? Desfrutar? Realizar seu sonho? Apoiar a família? Ter conforto? Pois essas são as genuínas prioridades da consumo visão. Elas distraem o crescimento pessoal do ser espiritual, segundo as cosmovisões.

Um avó na cosmovisão expande a sabedoria transcendental, devido a sua prática e compartilha com os demais.

Ele se prepara para passar pela a morte, vivendo cada dia como único, com a consciência fixa na super alma ou gran espirito. Não precisa esforçar-se em trabalho material, estar apegado a família ou desejar conforto sem estar consciente da super alma.

A família e o trabalho tem sentido, quando este é uma oferenda, um ritual de agradecimento, para a potencia geradora de vida, onde estaria mais adequado compreender os desafios da vida como uma passagem temporária, para adquirir conhecimento espiritual e vincular-se a divindade do que ter em nas demais relações a razão do viver. O ser humano é um protetor de todas as formas de vida. É urgente resgatar essa consciência.

Essa carta é de um neto da consumo visão, eu, um lembrete para todos os avós: necessitamos de vocês para alimentarem os sonhos de crianças, contarem estórias sem a influência da consumo visão, ou seja da exploração da natureza, da vida, precisamos de vocês para resgatar a cosmovisão e a alegria de ser livre, de cantar, dançar, estar junto ao fogo que foi retirado de nossos lares, desapegar do material sem propósito, apegando nos ao essencial, ao natural, das práticas que libertam a consciência da identificação com o corpo e do ciclo de mortes e renascimento. Da sobrevivência espontânea, daquela que menos precisa, menos demanda.

Desejo a todos os avós que sejam expertos na arte de amadurecer, tornando-se verdadeiros sábios, co-criadores da divindade, cuidadores e guardiões da vida pelo exemplo prático, desobedeçam a consumo visão sem medo, sejam visionários, mestres, curadores e guerreiros das cosmovisões, adormecida sim, esquecida jamais. Está sendo mágico descobrir esta nova era onde o despertar dos avós da consumo visão começa a florescer sempre, a cada novo velho diferente agora eu.

Reverencias a todos os sábios, avós e autoridades da cosmovisões

14/07/2017
Autor: Prema Avatar Das 
Docente Investigador da Universidade de Sabedoria Ancestral

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