Aquele sonhado bloco de carnaval
Sexta-feira de carnaval. Que dia esperado! Que dia alto astral! Eu, você e boa parte das pessoas acordamos mais animadas; afinal, folião ou não, vêm aí alguns dias de descanso. Se no seu trabalho o ambiente permite, é possível até ver alguns colegas com adereços carnavalescos. Se o local é mais formal, o tum tum tum está escondido dentro do coração.
Ok, tudo pronto. Você venceu a correria da semana, passou no comércio e descolou meia dúzia de itens que formam a fantasia perfeita. Segue, há semanas, os perfis que divulgam os blocos mais divertidos e está animadão.
Fim de expediente. Finalmente, hora de conferir o bloco. Carnaval é mesmo uma delícia! Cantar músicas animadas, sorrir para desconhecidos, dançar sem se preocupar com o passo. O corpo vai sendo levado e o ritmo aquece a alma. Dá até um calor! E aí, opa, parece que alguém ouviu suas preces: você sente um jato que inicialmente parece que vai refrescar. Mas, caramba, que líquido melado! Jogaram cerveja na galera! Que pessoa inconveniente! Nem deu pra ver quem foi mas também não interessa. Dá pra relevar e continuar curtindo o carnaval!
Mas o calor continua e então é hora de tomar algo gelado pra refrescar. Ali na esquina tem uma pessoa vendendo bebidas. Chegando lá tá tudo legal, exceto o pessoal do cantinho que faz xixi na calçada. Você nem quer prestar atenção, já sabe o que seus outros sentidos vão sentir se continuar olhando. Pega logo essa bebida e volta pra folia.
Bom, pra esse bloco não se tornar mais um dia das bruxas do que uma folia de carnaval, vamos parar bem aqui e voltar lá na sexta-feira, quando acordamos animados e estávamos todos felizes no fim de expediente. Ao chegar no bloco com sua fantasia lindamente organizada durante a semana, você vê um aglomerado de pessoas e quer chegar mais perto da banda. Para sua surpresa, algumas pessoas percebem sua intenção e abrem passagem para você. Afinal, tem espaço para todo mundo!
Mais do que isso, na hora do calor, você vai comprar bebida e a rua está cheirosa — o pessoal do xixi no muro caminhou se divertindo até o banheiro público e fez até umas amizades na fila. Nem o empurra-empurra comum no carnaval dessa vez se apresentou: todo mundo dançou à beça, mas sem ficar esbarrando na turma ao lado.
No dia seguinte, a calçada também amanheceu diferente: decorada apenas com confete e serpentina porque as latinhas foram jogadas em cestos de lixo recicláveis. Até aquela pessoa que não estava tão animada com o carnaval — porque no ano passado a porta da casa ficou entulhada de lixo, acordou com o espírito mais leve ao ver que tudo está no lugar porque plantas não foram pisoteadas e a sujeira está onde deve estar: no lixo.
Sim. É possível ser cidadão durante a folia. A cidade agradece a sua gentileza!
