Fotos: Verônica Torres Luize

Grande reportagem

Esquecidas no cárcere

Histórias de mulheres que, abandonadas atrás das grades pela família, vivem reféns de lembranças e mágoa

*Reportagem vencedora do Prêmio Unicos 2016

Sara, mãe de cinco e de nenhum

Sara*, 31 anos, sentiu as primeiras contrações por volta das 10h e voltou à boca na fissura. Os olhos vidrados olhavam assustados para aqueles que a observavam caminhando suja e descabelada pelas ruelas do bairro. Os pés descalços seguiam cambaleantes, pisando em córregos de esgoto e em lixo esparramado sobre a terra vermelha batida.

A bolsa estourou alguns minutos depois de acender o cachimbo. A mãe de Sara ficou sabendo por sua comadre, vizinha da boca. Estava sentada na soleira da porta de casa, penteando os cabelos da filha, quando viu o líquido escorrer pelas pernas raquíticas da grávida. Sara nada viu, nada sentiu. Tudo o que queria era curtir a adrenalina. Quando voltou à realidade estava na maternidade do Hospital Centenário, em São Leopoldo. Havia trazido ao mundo uma menina prematura que nunca criaria.

Sara tem cinco filhos. O mais velho, de 16 anos, era o único que morava com ela. As outras crianças, de um, três, nove e 11, foram criadas por sua mãe. Viciada em diferentes drogas desde os 14 anos, ela nasceu e cresceu em uma família desestruturada na periferia de Porto Alegre. Ela não conheceu seu pai e viu sua mãe criar cinco filhos com o dinheiro das faxinas. O destino, irônico, repetiu o roteiro, mas de um jeito mais desarrumado. O vício a afastou de qualquer trabalho e a aproximou de diferentes homens. Quando a menstruação parava de descer e a barriga crescia, eles sumiam. Para esquecer a realidade esmagadora, Sara se drogava. Em seu braço esquerdo ela leva tatuado o nome do primeiro amor, o pai de seu primogênito.

Três meses após dar a luz a sua quinta criança, Sara acordou mais triste que o normal. A tontura fazia as ripas do barraco dançarem. Seu namorado, dormindo ao lado, exalava álcool. Ela levantou, tomou banho e fez um café forte. Estava com saudade das crianças. Mesmo morando na mesma cidade, não as visitava com frequência. Preferia que não a vissem naquelas condições, não queria servir de mau exemplo. Difícil era ficar sóbria por mais de 24 horas. Nos últimos tempos não se lembrava de um único dia em que tivesse conseguido. Quando o efeito do crack passava, a tristeza invadia.

Naquele dia, Sara fez o mesmo percurso até a boca, percorrido dezenas de vezes. Levava no bolso R$ 5. “Quando cheguei, fiquei esperando no lado de fora. O cara entrou na casa e voltou trazendo pedras para mim e para os outros. Eu estava de costas e não vi que a polícia estava chegando. O traficante largou tudo na minha mão e sumiu. Fui presa por tráfico”. Sara só percebeu o que realmente estava acontecendo depois de quatro dias, quando a fissura passou. Foi então que começou a fase mais difícil: a abstinência. A apenada foi encaminhada para o Hospital Vila Nova, na Zona Sul de Porto Alegre, para receber tratamento de desintoxicação e psiquiátrico, por 21 dias. Após esse período ingressou na Penitenciária Modulada de Montenegro.

Faz sete meses que Sara chegou ao complexo. Ela ainda não ganhou a confiança dos agentes para poder circular livre de algemas, como ocorre com algumas presas conformadas de sua culpa e comprometidas em pagar por seus atos. Para eles, a apenada é da “ala das presas mais difíceis”. São mulheres protagonistas de brigas, ataques de fúria e muitas vezes de iniciativas de liderança, ficando à frente de grupos rebeldes e facções.

O que mais a preocupa nesse momento é seu filho mais velho. “Querem matar ele. Não sei o que aconteceu depois que fui presa. Só sei que ele se revoltou e agora está sob proteção da Justiça. Isso me deixa muito preocupada. Se eu não tivesse filhos, para mim seria tranquilo ficar presa. O que dói é a saudade”, conta.

Os sábados custam a passar. É dia dos presos receberem visitas. Sara observa suas colegas de cela acordando mais contentes, pensando nos momentos de alegria que compartilharão em algumas horas ao lado dos familiares. Assim como elas, também se arruma com suas melhores roupas e usa o hidratante que recebeu no kit de final de ano, distribuído pela Igreja Universal a todas as 74 presidiárias. Com ele também foi entregue xampu, condicionador, desodorante, um pacote de absorventes e o livro biográfico de Andressa Urach, “Morri Para Viver”. Sara se prepara mesmo sabendo que seus filhos não virão. Nunca se sabe quando receberá uma surpresa. “Agora que eu tenho bastante tempo para pensar, me arrependo muito. Fazer o quê? Bola pra frente”, desabafa. O que lhe resta é a lembrança de cada um dos cinco filhos, cada vez que enxerga as iniciais dos nomes tatuados em suas mãos.

Aquela que não vê os filhos há mais de um ano

Verônica Torres Luize

Sábado, 5h da manhã. O vento assovia na janela basculante reforçada com barras de ferro, pintadas de amarelo claro. Os únicos sons ouvidos por Luana*, 36 anos, vem do lado de fora: o lado dos livres. A civilização está a cinco quilômetros, e os únicos a gozarem de liberdade por essa grande planície descampada são os quero-queros e o rebanho de gado. Cantam e mugem sem pedir autorização.

É dia de visita na Penitenciária. Luana sempre perde o sono aos sábados. Enquanto o olhar vagueia por entre os veios das ripas da cama do beliche acima de si, tenta compreender algumas perguntas sem respostas. Gostaria de saber por que a irmã nunca traz as crianças para visitá-la. Será mesmo só por causa do problema no rim e das hemodiálises? Desde que entrou por aquele grande portão enferrujado, há mais de um ano, Luana nunca mais viu os três filhos: um menino de sete anos, outro de cinco e uma menina de 13. “Isso é o mais difícil. Ouvir a voz deles já me ajudaria bastante. Não sei por que minha irmã não manda recados. Somos muito unidas. Está quase tudo pronto para passar a guarda das crianças para ela. As notícias que recebo quem conta é a assistente social e a psicóloga.”

São 6h. As mãos são levadas à boca entre um pensamento e outro. A ansiedade consome não só as unhas como também a paciência. É hora de Luana e as outras 83 presas levantarem e começarem a rotina. Algumas comemoram a alegria que compartilharão em algumas horas ao lado dos familiares. É dia de se vestir com as melhores roupas. É dia de fazer mousse de morango batido na mão e colocado na geladeira do presídio. Um mimo para as visitas.

Luana observa a felicidade das colegas de cela, esboça um sorriso dissimulado e volta os olhos para as ripas do beliche. Dói não ser lembrada. Foi justamente o medo do abandono que a fez postergar sua entrega à Justiça.

Em 2013, seu ex-namorado foi preso por assaltar a lanchonete onde ela trabalhava, em São Leopoldo. Luana continuou a vida normalmente, trabalhando como diarista de segunda a sexta-feira, e na lanchonete aos finais de semana. “A polícia foi duas vezes na minha casa para me prender e eu estava trabalhando. Em 2014 fiquei sabendo que eu era considerada uma foragida. Só tive coragem para me entregar em março de 2015. Eu tenho amigas que estão presas no Madre [Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre] e em Charqueadas [Presídio Estadual de Charqueadas]. Elas me falavam que é horrível, que as presas obrigam a dormir no ‘bracinho’ [formar casal] e que, se você não aceitar, apanha. Ainda bem que aqui não é assim. Nunca me forçaram a nada. Só sinto falta dos meus filhos. Fico pensando se estão indo bem na escola, se são bem tratados, se estão com as vacinas em dia.” Luana cumpre pena de 20 anos.

Rita: olhos verdes de mágoa e tristeza

Verônica Torres Luize

Rita*, 41 anos, só transita fora da cela se estiver algemada e sob o olhar atento dos agentes. Há nove meses no presídio sendo protagonista de algumas crises de agressividade, ela ainda não ganhou a confiança para circular com as mãos livres. Em seus olhos verdes pode ser vista mágoa e tristeza. Os sábados sempre trazem as lembranças daquele dia que mudaria tudo, para sempre.

Rita é natural de Campo Bom, mãe de cinco filhos com idades entre dois e 20 anos. É a penúltima, hoje com 18 anos, a quem ela culpa por estar presa. “Eu estava em casa tomando chimarrão quando a polícia invadiu e revirou tudo a procura de armas. Eu disse que não tinha arma alguma. Foi aí que encontraram maconha e ecstasy, que a minha filha e o namorado haviam escondido para vender numa rave. Eu não sabia de nada”. Rita alega ter sido presa pelo fato da filha ser menor de idade e a droga estar escondida em sua residência.

As horas passam devagar na cela dividida com outras cinco mulheres, por isso ela decidiu trabalhar como paneleira, servindo as outras internas durante as refeições. Essa, aliás, é uma maneira que as presidiárias encontram para reduzir a pena. A cada três dias trabalhados, um é abatido no tempo de permanência.

Rita escolhe usar o esmalte que ganhou da filha. Não quer que os filhos a vejam relaxada. Por alguns instantes, prende os olhos no frasco. Na coleção 2015 da Colorama, o rosa foi batizado de “cochilo na rede”. Após nove meses enclausurada entre os grandes muros e portões, a mágoa tem diminuído, mas não totalmente. “Agora estou mais tranquila, mas ainda sinto raiva da Justiça. Essa minha filha começou a dar trabalho aos 12 anos. Pedi ajuda para o Conselho Tutelar e só sabiam dizer que não podiam fazer nada. Mais tarde, ela não queria trabalhar e nem estudar. Eu buscava ajuda e nunca me deram. Estou aqui por culpa deles.”

Os primeiros dias foram um terror. O Conselho Tutelar levou os quatro filhos menores de idade para um abrigo. Eles permaneceram no local por 28 dias até que a filha mais velha conseguisse a guarda.

Rita aquece a água para o chimarrão colocando-a dentro de uma garrafa pet. Não há fogão. Tudo o que precisa ser consumido quente é esquentado no aquecedor, mesmo no verão. De dentro de uma sacola térmica guardada embaixo da cama, ela retira um pacote de biscoito recheado. Não são para si, são para as crianças. Foram comprados com o dinheiro do pecúlio R$ 22,00 pagos a cada três meses de trabalho. Só os mais crescidos virão vê-la. Os mais novos não sabem que a mãe está presa. “Pensam que eu estou trabalhando. Sinto muita saudade, mas não posso contar a verdade. Eles não muito novos para entender. Meu filho de quatro anos odeia a polícia. Dói ficar longe deles. Tento não pensar muito para ver se o tempo passa mais rápido”, diz. Depois fecha os olhos por alguns segundos, suspira e deixa o olhar se perder pelo chão.

O som da campainha anuncia que está na hora de visitação. Rita e Luana, cada uma em sua cela, se preparam para ir ao pátio. Enquanto caminham pensam em quem pode ter vindo. Assim que ultrapassam o portão e veem a luz do sol, buscam, em vão, algum rosto conhecido. Ninguém veio. Rita passa pelas famílias e senta em um banco distante de todos; então tira da carteira o cigarro e o acende. “Me vende um?”, pergunta Luana. Rita pensa por uns segundos e responde: “Pega. Não precisa pagar. Senta, vamos fumando enquanto não chega ninguém”.

Regina, a privilegiada

Verônica Torres Luize

Regina*, 35 anos, pega o controle remoto, coloca a TV no mudo, vai até a prateleira e aumenta o volume do rádio. Não é preciso dizer nada, as outras presas param de conversar. Às 22h, todos se calam na Penitenciária Modulada de Montenegro. É hora de ouvir os recados dos parentes, enviados por SMS ou WhatsApp ao pastor Demétrio Fernandes, o comunicador do programa Momento do Presidiário, transmitido diariamente pela Rede Aleluia.

As mensagens são as mais variadas. São amantes declarando seu amor, parentes avisando que irão ao presídio no próximo horário de visitação e mães comemorando por terem conseguido um habeas corpus para os filhos. “E agora vai o recadinho do Felipe para a esposa Regina: ‘Oi amor, as crianças e eu estamos com muita saudade, mas o que importa é que em breve você vai sair daí. Deus é fiel. Aguenta firme, guerreira. Te amamos’”. Regina se emociona, mas evita demonstrar muita alegria para não ofender as presas que não recebem notícias. Ela tem um marido e filhos que não a abandonaram. É uma privilegiada.

Regina está chegando ao fim de sua pena. Até agora cumpriu três anos e cinco meses. A previsão é de que ganhe liberdade em setembro deste ano. “Soube no dia seguinte a que vim visitar meu marido. Ele tinha sido preso por tráfico de drogas e eu fui enquadrada como cúmplice. Na hora só pensei no meu filho que tinha dois anos. Foi muito difícil, porque ele já estava longe do pai e iria ficar sem a mãe”. O menino ficou sob a guarda do filho mais velho de seu marido. Hoje, a criança mora com o pai, que já cumpriu sua pena.

Para reduzir sua passagem, Regina decidiu trabalhar como mensageira. Esse é o nome dado às reclusas responsáveis por transmitirem as informações dos agentes para as outras presas. É ela, por exemplo, quem anota os recados de toda a ala e repassa para a assistente social. Também fica a seu cargo informar à cantineira quais são os doces e salgados encomendados, para serem entregues na próxima semana. Os produtos são comprados com o dinheiro do “pacotinho” — R$ 16 recebidos a cada mês de trabalho.

É véspera de visitação no presídio. Regina abre uma bolsa térmica onde guarda alguns produtos enviados pela mãe através de seu marido. Retira duas caixas de creme de leite, outra de leite condensado e um pacote de gelatina de morango. O mousse é feito dentro da cela, batido à mão e deixado na geladeira do refeitório, por gentileza dos agentes. O agrado é para o marido, o filho pequeno e os enteados. “Meu marido vem em todas as visitas e traz o pequeno a cada 15 dias. Minha mãe mora em Campo Bom, tem problema de saúde e não vem porque a revista é muito rigorosa. É muito difícil e humilhante para ela fazer agachamento. Meus irmãos moram em Porto Alegre e trabalham em churrascaria. Eles nunca vieram porque é difícil conseguir uma folga”, conta.

Nesses três anos em que esteve confinada, o mundo parou. Regina se esforça para não perder a noção do tempo e da realidade. Tem medo de se sentir perdida assim que atravessar o portão. Por isso, acompanha os meandres da política assistindo o Jornal Nacional, na Rede Globo, e o Balanço Geral, na Record. “Não sei o que está acontecendo na minha cidade. Só sei pelo que o meu companheiro diz. Ele fala que está difícil, que onde eu morava mudou muito, que a cidade cresceu. Eu fico imaginando como é lá fora. Nem eu e nem ele queremos a vida que nós tínhamos”.

Rejane conta que o marido, solto há mais de um ano, retomou a vida como autônomo, abriu uma revenda de carros e uma lavagem de automóveis. “Ele sempre foi trabalhador, mas como a gente queria mais conforto, ele foi para o lado errado. Isso é passado”, garante.

Depois de assistir a novela das 21h, Regina se prepara para dormir, mas não sem antes ler algumas páginas do livro que retirou na biblioteca do presídio: “Como Criar Um Filho de Sete Anos”. “Logo meu pequeno vai fazer aniversário. Sei que não tem como recuperar o tempo perdido, mas dessa vez vou ser uma mãe muito presente. Ele não sabe que estou presa. Digo que estou trabalhando. Ele sente muito a minha falta… Fica toda hora pedindo para o pai ‘Quando a mãe vai sair? Quando a mãe volta do trabalho?’”.

A rotina, as regras e os deveres dentro da penitenciária

Verônica Torres Luize

Uma extensa planície descampada separa a civilização da Penitenciária Modulada Estadual Agente Penitenciário Jair Fiorin (Pemapjf), de Montenegro. Em abril, a população carcerária da unidade era de 1.513 apenados, sendo 74 mulheres no anexo feminino. A capacidade foi planejada para abrigar 976 pessoas.

Os apenados ocupam as celas e galerias conforme a compatibilidade com a massa carcerária, sendo separados por gravidade dos crimes cometidos. A rotina dos reclusos inicia às 7h, momento em que é servido o café da manhã e realizada a conferência nominal. O horário de sol é usufruído das 8h às 11h por uma galeria, e das 14h às 17h por outra. Não há horário específico para banho. Os apenados fazem sua higiene dentro da cela, a qualquer hora.

Trabalho

Para conseguir um abatimento na pena, parte da massa carcerária escolhe trabalhar. Atualmente 459 homens e 50 mulheres exercem alguma atividade laboral como a manutenção do jardim, cozinha, faxina, atuando na oficina mecânica ou recolhendo e separando o lixo. Outra atividade é a de multiplicador de leitura, que auxilia na biblioteca do presídio. Há também os mensageiros, vaga geralmente exercida por um apenado com bom histórico disciplinar. A ele cabe transmitir as orientações dos agentes e anotar os recados dos presos para seus familiares, para então repassar à assistente social.

Larissa* cumpre 20 anos sob acusação de ter sido cúmplice de um assalto e ter ficado foragida. Para reduzir seu tempo de reclusão, aceitou trabalhar na farmácia da Modulada. “Eu separo os medicamentos conforme a farmacêutica me orienta. A cada três dias de trabalho, reduzem um dia de pena. Eu gosto de trabalhar. Assim a cabeça fica ocupada”, diz.

A cada três meses trabalhados os presos recebem R$ 22 de pecúlio e R$ 16 mensalmente, chamado de “pacotinho”. O dinheiro é gasto na cantina, encomendando doces e salgados entregues semanalmente no local.

De acordo com a diretora da penitenciária, Tanara Aparecida Prado Machado, as unidades do Rio Grande do Sul encaminham presos para trabalhar em empresas privadas e órgãos públicos, utilizando o Protocolo de Ação Conjunta (PAC). “Ele existe e funciona muito bem no regime semiaberto, mas no fechado temos mais dificuldades em conseguir convênios com a iniciativa privada, pois devido a uma liminar que exige o pagamento de 75% do salário mínimo aos presos, torna-se oneroso para as empresas”, observa.

Aulas

Tanara explica que há três anos a direção faz tratativas de implantação do Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Neeja) Prisional, mas que no momento “estão no aguardo de algumas questões burocráticas”. A assistente social Débora Rodrigues afirma que as salas estão prontas e a maior dificuldade é conseguir professores para trabalharem no local. “Todas essas movimentações estão sendo feitas, vai depender da Secretaria da Educação”, diz.

Drogas

Assim que chegam ao presídio, os dependentes químicos passam por uma avaliação do Setor Técnico para verificar se a pessoa está com síndrome de abstinência. A partir disso é feito o encaminhamento do apenado para desintoxicação no Hospital Vila Nova, em Porto Alegre, onde permanece por 21 dias.

Grávidas

Devido à Modulada não dispor de Unidade Maternal, as apenadas grávidas são transferidas para a Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre, a partir do sétimo mês de gestação. De acordo com Tanara, elas recebem atendimento médico durante o período em que permanecem em Montenegro. “São profissionais do município que trabalham na Modulada e atendem tanto as mulheres quanto os homens presos. Elas recebem todo o acompanhamento pré-natal enquanto permanecem aqui. Não temos crianças neste estabelecimento prisional, somente no Madre Pelletier e no [presídio] de Guaíba, onde as crianças ficam até os seis meses de idade”, observa.

Apoio emocional

Quatro instituições frequentam a Modulada para realizarem ações voluntárias com os apenados. São as igrejas Universal e Assembleia de Deus; centros Avivamento e Batista; Projeto Memória Livre, que estimula o hábito da leitura, e o Instituto Embeleze, que proporciona cortes de cabelo às mulheres e dias de beleza.

Carceragem feminina do Rio Grande do Sul

  • População carcerário feminina brasileira: 37.380
  • *Total (homens e mulheres): 579.781
  • *Entre 2000 a 2014 houve aumento de 567,4% no universo feminino, contra 220,20% masculino.
  • *O Rio Grande do Sul possui 1.614 apenadas. A faixa etária de maior número é entre 35 a 45 anos (28%). Destas, 65% são brancas e 33% são negras; 48% declara-se solteiras, 35% em união estável e 10% casadas; 56% tem o Ensino Fundamental Incompleto e 3% são analfabetas; 81% respondem pelo crime de tráfico de drogas.

[Fonte: Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), junho de 2014.]

*Os nomes das entrevistadas foram preservados

*Compilação de reportagens veiculadas no jornal contexto e na revista Primeira Impressão entre maio e julho de 2016.

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