Título
Olá, meu nome é Bruno se VOCÊ está lendo isso é porque é um leitor curioso, ou algo assim. Nesse “Texto” vou contar um pouco de minha primeira paixão, desde como tudo começou até seu desfecho.
Tudo começou no primeiro dia de aula, quando entrei no Ensino Médio, mais precisamente, lá estava eu no primeiro dia de aula, com aquela animação de rever os amigos depois das férias, escola “nova” — sim, “nova” pois no colégio em que eu estudava durante o meu Ensino Médio era em outra unidade do colégio — fazer novas amizades, conhecer novas pessoas — lembre-se bem disso, conhecer novas pessoas -, saber das novidades dos seus amigos, colegas, etc. coisas que todos fazemos enquanto estamos na escola, não é mesmo?
Lembro como se fosse ontem, uma semana havia se passado, as duas primeiras aulas já haviam se passado, estava na hora do primeiro intervalo, o dia estava meio nublado, abafado, clima típico da cidade onde eu morava. Meu amigo Caravaggio estava com sua namorada Priscila, suas amigas Clara, Patrícia, Vanessa e Emmily -você se lembra que eu te pedi para não se esquecer do termo conhecer novas pessoas? Então, esse é o motivo — essa foi a primeira vez que a vi, sim, a primeira vez. Devo admitir que não foi algo imediato, mas senti algo diferente do que jamais havia sentido, não me entenda mal, era algo diferente, mas me senti bem.
Aproximadamente um mês havia se passado, o meu colégio havia organizado uma viagem “de estudos” — sim “de estudos” porque não tinha nada a ver com estudar — isso seria uma ida para um parque de diversões. Quando chegamos lá nos reunimos dentro do parque, eu, Caravaggio, Priscila, Vanessa, Patrícia, Leonardo, Rafael, Emmily e Vitória. Foi nesse dia em que além de conhecer Vitória também conheci Patrícia — sim, eu sei que ela estava lá na nossa roda de amigos, mas conversar diretamente com a pessoa é diferente — e nesse dia também percebi que havia ganho duas das coisas com que mais me importo hoje.
Conforme os dias foram passando, todos nós fomos mudando, me tornei mais amigo de Caravaggio, Vitória, basicamente todos os que estavam naquela roda de amigos lá na primeira semana de aula.
O ano foi passando, eu, meus amigos, basicamente quase todos da minha sala, com exceção de Gabriela, Diego e Alberto — sim, não estavam naquela roda, mas mesmo assim ainda somos grandes amigos — que sempre foram alunos dedicados.
O final do ano se aproximava, toda aquela correria de provas finais e etc., comecei a conversar mais com Patrícia, Emmily, Vanessa, Priscila, … — não sei se já te disse isso, mas devido à problemas do passado eu não sabia interagir com pessoas (lembre-se bem dessa parte, ela será importante para o futuro desse texto) e mal sabia eu que esse fato me traria muitos, MUITOS problemas no futuro — então, como eu não sabia interagir com pessoas (continuo sem saber, mas naquela época era bem pior) não sabia o que falar e em que hora falar, não percebia que estava “enchendo o saco”, essas coisas básicas que todos sabem (ao menos deveriam saber) — devo confessar que cometo esses mesmos erros até hoje e que chega a ser engraçado (às vezes) — como não podia ser diferente do que sempre acontece comigo, me dei mal, fiquei com uma imagem de chato, “uma pedra no sapato”, basicamente aquele cara que ninguém quer por perto, mas nenhuma pessoa tem coragem de expulsá-lo quando em uma roda de amigos — Ah como eu queria voltar no tempo e dizer para o eu do passado que isso seria o menor dos problemas, pois era apenas o começo de tudo -.
Enfim o ano acabou, acabaram as aulas, as provas de recuperação, as férias tinham começado, passaram voando, exceto perto do fim, estaria eu calmo? Obviamente não, estava de certa forma decepcionado comigo mesmo, pois havia desperdiçado minhas férias quase que inteiras jogando. Foi então que decidi falar com meus amigos, infelizmente “não podia” mais falar com Vitória, pois devido à minha maturidade equivalente à de uma criança de 2 semanas de vida ela não me aguentava mais, então decidi falar com Gabriela, é mais uma vez, fiz merda, só que eu já era mais maduro, ao invés da maturidade de uma criança de 2 semanas já era equivalente a uma de 1 mês, não podia ter outro resultado, ela ficou brava comigo, então me bloqueou no aplicativo de mensagens.
Devido à esses fatos, já que eu havia “perdido” duas de meus melhores amigos, resolvi parar um pouco e começar a repensar em minhas ações, isso me ajudou muito, pois eu não sei o que aconteceu, mas me senti mais responsável, então digitei um pedido de desculpas para Vitória, não me lembro ao certo, mas dizia algo tipo: “oi, Vitória me desculpa por ter te enchido o saco, eu disse que mudaria minha maneira de ser e agir, eu percebi que foi muito infantil, só te peço uma última chance para provar que mudei, a última coisa que preciso é perder uma amiga como você”.
Enfim o outro ano letivo havia começado, reencontrei meus amigos do ano passado, os novos alunos que haviam vindo da outra unidade do colégio, conheci os “novos” professores, o de sempre, porém quando encontrei Caravaggio na mesma roda de amigos que no ano anterior, mas Vanessa não estava lá, apesar de não influenciar tanto assim na história faz falta.
Priscila, Patrícia, Clara e Emmily estavam no terceiro ano — o mais turbulento, talvez, pois na minha escola o objetivo era passar no vestibular, então era uma loucura, correria pra todo lado — me tornei mais amigo de Priscila, mas mesmo assim, não somos tão amigos assim, numa escala de 0 a 10 nossa amizade seria um 6, pois apesar de não nos falarmos o tempo todo podemos confiar um no outro.
3 semanas haviam se passado, finalmente Gabriela me desbloqueou, pois percebeu que eu tinha mudado, para melhor, cada vez mais me “aproximava” de Patrícia — você se lembra que eu disse que não sabia interagir com pessoas? Provavelmente sim, então esse foi mais um dos vários casos em que me dei mal — eu falava com ela quase todo o recreio, pois me sentia bem.
Um dia Caravaggio foi falar comigo, pois Patrícia havia comentado que se sentia sem espaço pessoal, pois eu apenas falava com ela e como estava no terceirão não tinha tempo para nada e queria conversar mais com seus amigos e etc. decidi que ia falar com ela e pedir desculpas, pois eu não tinha percebido isso, tudo se resolveu.
Um tempo depois voltamos a nos falar mais, só que dessa vez eu sentia algo diferente por Patrícia- jamais havia sentido isso antes, era uma sensação extremamente boa, eu podia usar o exemplo de borboletas no estômago o que seria mais fácil, porém é algo muito clichê então vou tentar descrever os meus sentimentos enquanto ela estava por perto, meus batimentos aceleravam, eu ficava feliz, mas ao mesmo tempo nervoso porque tinha medo de dizer ou fazer algo errado, o que me fazia ficar nervoso, mas isso aumentava conforme eu ia me aproximando e falando com ela — devido a isso não era mais apenas uma conversa, era o ponto alto do meu dia.
Pouco tempo depois resolvi falar com meu amigo Caravaggio sobre o que estava sentindo e por quem, então ele me disse que não acreditava, que era algo temporário e que eu desistiria fácil — bom, se você está lendo isso é por que eu não desisti não é mesmo? — essa discussão perdurou por dias, mas cada vez que Caravaggio me dizia para desistir mais forte era o que eu sentia por ela — esse caso pôs se comparar a uma fogueira, pois como dizia Camões em uma de suas frases mais usadas por pessoas que tentam explicar o amor de alguma forma, ou apenas para fazer com que os outros pensem que é entendido de literatura clássica “Amor é um fogo que arde sem se ver” então esse “fogo” dessa fogueira era alimentado por Caravaggio mesmo que com frases negativas — .
Alguns dias depois resolvi escrever uma carta — acho que esse foi um dos piores erros da minha vida até hoje — nessa carta eu explicava para Patrícia o que sentia por ela é uma breve história disso — sim o texto surgiu daí — eu pedi para meu amigo Lucas comprar um envelope para eu colocar a carta dentro e entregar para ela, criei vários planos mirabolantes, eles iam desde uma caça ao tesouro com enigmas complexos até simplesmente colocar dentro do armário dela através das frestas. Pedi a ajuda de Gabriela porque né? Ninguém sabe mais do assunto mulheres do que uma mulher, então ela me sugeriu a única coisa que eu não tinha pensado, pedir para alguém simplesmente entregar para Patrícia, então eu nem discuti, como Lucas havia comprado dois envelopes eu pedi para Vitória decorar um deles, os desenhos ficaram simplesmente incríveis, mas no fim das contas acabei usando o em branco mesmo, pedi para o Raul “amigo” meu entregar pra Patrícia na hora da saída, mas não deu certo, pedi para Gabriela guardar o envelope pra mim e me entregar no outro dia pela manhã.
Quando começou a aula Gabriela me entregou o envelope com a carta dentro, passei as duas primeiras aulas, o primeiro intervalo e as outras duas aulas pensando em como entregar, então a Gabriela me perguntou se ela podia entregar, já que Patrícia não a conhecia — a carta era anônima, por isso esse fator influenciou minha decisão — simplesmente concordei. Passeia o intervalo apreensivo esperando notícias, o sinal bateu, nos encontramos novamente na sala de aula, Gabriela disse que não sabia se a reação foi boa ou ruim, simplesmente disse que ficou surpresa por ser algo sério já que no início Patrícia pensou que era apenas uma brincadeira de Caravaggio, a parte de ser uma carta anônima falhou miseravelmente, pois apenas cinco minutos depois Priscila envia uma mensagem para Caravaggio dizendo que estava chocada, pois rinchava mandado uma carta para Patrícia e Bruna havia descoberto minha letra.
Não demorou muito, tudo foi por água abaixo, fiquei realmente triste com tudo, não tinha mais coragem nem para olhar na cara de Patrícia, naquele dia fui para casa, almocei, fingi que tudo corria bem — sério, eu devia ter ganho um Oscar pela minha atuação — minha mãe voltou para o trabalho, escureci a sala, coloquei um filme qualquer no Netflix — acho que devia ter escolhido melhor p filme, pois era basicamente um filme francês, porém tão dramático e triste que apenas piorou mina situação — peguei um sorvete de tapioca com coco no congelador — um dos meus sabores favoritos de sorvete, pode parecer estranho, mas é bom, melhor que açaí (na minha opinião — depois comecei a chorar feito uma garotinha pequena, só lembro que antes do fim da tarde eu já tinha consumido mais de um pote de sorvete — sim, sorvete direto do pote, que nem em filme quando uma mulher leva um fora, só que dessa vez era eu e nem tinha levado um fora ainda, parecia que eu sabia o que viria pela frente -.
Essa mesma situação se repetiu algumas vezes até que enfim m um dia eu encontrei com Patrícia no pátio, meus amigos Lucas e Caravaggio eles me “ajudaram” a pedir desculpas pelo ocorrido, mas foi mais difícil que parece foi algo mais como: “o-o-oi Patrícia d-desculpa.” Só que eu estava quase desmaiando de nervosismo, logo saí andando rápido, não correndo, fui direto pro banheiro onde quase desmaiei. — As coisas já está resolvidas, certo? NÃO, na semana seguinte mais potes de sorvete foram consumidos enquanto eu assistia à um filme ruim na sala de casa e chorava-.
Já em outro dia criei coragem e fui falar com Patrícia, combinamos de nos encontrar à tarde no colégio, não conseguia parar de pensar no que eu iria dizê-la, novamente planejei coisas mirabolantes, então a tão esperada hora do dia chegou, nos sentamos em um dos bancos do estacionamento do colégio, Patrícia me perguntou: “Então, o que você queria falar ?”, tudo o que eu havia pensado em dizer se tornou inútil, porque eu não tinha coragem de dizer aquilo pra ela, começamos a conversar sore a vida, nossos planos para o futuro, e então acabamos esquecendo momentaneamente o que estava acontecendo durante os dias anteriores, passamos aproximadamente meia hora conversando — devo confessar que esses 30 minutos estão no top 10 melhores momentos da minha vida — , mesmo tendo falado sobre tudo menos o que eu realmente queria — não me leve a mal, nós conversamos, mas continuei mal comigo mesmo, pois não consegui falar o que precisava — .
Depois daquele dia, Gabriela já cansada de me ver triste foi falar com Patrícia, ela explicou que eu estava me sentindo mal e pediu para ela falar comigo.
No mesmo dia Patrícia veio “falar” com a minha pessoa, mandou uma série de mensagens que formavam um textão que basicamente dizia: “você ao menos tentou” — Bom, não há muito o que dizer sobre isso exceto por Patrícia ter sido BEM subjetiva na hora de me dar o fora oficial, isso para mim foi pior, pois até hoje não sei se em algum momento isso poderia ter dado certo, ou se esse sentimento era recíproco — e isso, me levou a uma conclusão, e se eu não tivesse mandado a carta?
A única coisa que sei é que ainda tento reparar esse erro, esse é o principal motivo de eu estar escrevendo esse texto, explicar tudo o que aconteceu antes e depois da carta.