SOUVENIR D´ENFANCE

Le 8 setembre 2015

Toute mon enfance, j´ai habité à la même adresse — une maison à la banlieue du Rio de Janeiro. C´était là-bas que je suis resteé pendant toute mon enfance, dans um temps très diffèrent de celui d´aujourd´hui. À celui-lá la rue était l´espace des enfants, qui y restaient pendant tout le temps libre pour jouer.

Presque tout le monde du quartier était ami depuis longtemps et il n´y avait pas la violence d´aujourd´hui. Les maisons avaient beaucoup d´espace libre et plusieurs arbres fruitiers pour y monter.

A ce tempos-là, quand je voulais rester seule, je montais aux toits de ma maison. Là-bas était mon « royaume »…

Seulement là-bas je pourrais me sentir libre, principalement quand je jouait au cerf-volant. Ma mère n´aimait pas me regarder comme « un garçon ». Encore ele me dissait que je ne serais jamais une demoiselle…

Aujourd´hui, je comprends pourquoi j´aimais rester aux toits — seulemente là-bas je porrais me sentir vraiment libre.

NOS TELHADOS DA MINHA INFÂNCIA

Sempre morara na mesma casa: Rua Ivinheima, 334, Bento Ribeiro. Pelo menos, quando se lembrava de um início de vida, era a casa construída no centro do terreno que surgia em sua mente. Sabia-se recém-nascida em uma casa na Rua Conde de Agrolongo, na Penha, mas de lá não havia lembrança alguma.

Aos dois anos passara a ser a dona do quintal daquela casa. Dona de tudo — do jardim, cuidado pela Vó Rosa, mãe de seu pai; dos fundos, onde a roupa coarava e, depois, nas cordas, secava ao sol, vento (e, também chuva. Nesses momentos, era uma grande correria para tirar tudo do varal…). Entretanto, o seu lugar secreto era o telhado da casa. Punha uma escada na lateral e subia para o seu reino. Lá era o único espaço da casa onde podia ficar sozinha, debaixo da sombra da goiabeira, da mangueira, sentada na caixa d’água.

Nem se importava se a casa era pequena para seis pessoas — seu pai, sua mãe, sua avó paterna, os dois irmãos. O quarto dividia com a avó, enquanto seus irmãos dormiam no chão da sala em colchonetes…

Por isso, criara o seu reino…

De vez em quando, os gatos serviam de súditos. Ou alguma das gatas paria no forro da casa.

Ninguém atrapalhava — a mãe, sempre ocupada limpando tudo ou fazendo comida; a avó, distraída passando roupa, cuidando do jardim ou lendo (maravilhosas histórias que encantavam as noites de breu, sem energia elétrica: “Caio ou não caio?” era a história preferida das crianças: os braços e as pernas que visualizavam iam caindo do teto da casa mal — assombrada …). O irmão caçula era muito pequeno, um bebê; e o outro tinha medo de altura. Daí, o reino estava protegido. Os gatos eram bem-vindos — representavam, embora ela não fosse ainda muito nova para entender isso, uma liberdade de ir e vir,ainda adormecida no íntimo daquela menina de 8 anos.

Claro que a mãe brigava com aquela mania que ela tinha de ficar horas sozinha no telhado — isso é lá coisa pra uma menina! E se você quebrar as telhas? A preocupação era que ela quebrasse as telhas e provocasse goteiras no telheiro, justo onde ficava o tanque e as roupas que precisavam secar apesar da chuva. Mas nada era problema praquela menina… rapidamente aprendeu a caminhar apoiando o peso do corpo nos caibros e não no meio da telhas. Enfim, não seria qualquer empecilho a atrapalhar as suas horas de liberdade.

O bairro era muito diferente do que é hoje. Vizinhos de longa data, casas com quintal, rua de terra em um clima de camaradagem e cortesia. No verão, a alegria era brincar de pique até tarde, ou andar de bicicleta. Se alguém fazia uma comida gostosa, mandava um pouco para o vizinho; se a mangueira lá da casa enchia na época da safra, todos da rua recebiam frutas até acabarem as mangas. E o pé de tamarindo, altivo? Era a alegria de todos.

Ynah de Souza Nascimento — 6/04/2005