Chloe Price e o Flashpoint Paradox

Não, esta não é uma fanfic unindo Life is Strange e DC Comics, na verdade estou escrevendo esse texto pra externar alguns pensamentos que tenho sobre o final de LiS, então vão haver sim alguns spoilers, se você não jogou o jogo ainda mas pretende jogar, NÃO LEIA (se não pretende jogar, leia sim porque eu vou falar de umas paradas de viagem no tempo e pode ser legal pra você). Estão avisados.

O texto vai tratar exatamente do porquê não se deve salvar Chloe Price no final de LiS, desconsiderando toda (talvez não tooooda, toda) e qualquer obrigação moral ou senso de justiça, eu vou buscar apresentar um ponto de vista mais neutro sobre o porquê de deixar esta peste morrer (sim, eu não gosto dela, mas não vou deixar isso interferir no meu julgamento).

Primeiramente, o título do texto parece fazer uma comparação nada a ver mas quem já viu/leu Flashpoint sabe que não é tão sem nexo assim, afinal voltar no tempo e salvar a vida de uma pessoa acarretou a destruição nos dois casos (apesar de que em flashpoint isso ocorreu em uma escala maior). Em flashpoint, ao salvar sua mãe Flash alterou minimamente eventos ocorridos naquele universo, que no fim desencadearam uma guerra entre as amazonas e atlantis, é o chamado efeito borboleta/teoria do caos e tal eu não vou entrar nesse mérito pra não falar mais bobagem do que eu já planejo falar aqui.

Em LiS, todos os eventos ocorridos após o momento em que a Max ganha seus poderes e os usa pra salvar a Chloe do Nathan podem ser anulados com uma única escolha no fim do jogo, a escolha de voltar e deixar a Chloe morrer pode salvar toda a cidade, uma vez que elas descobrem que o tornado/tempestade que vai destruir a cidade está vindo justamente por causa disso. Mas o jogo não te dá muitas respostas, é basicamente “vish meninada cês mexeram com o que não deviam, agora aguentem aí ou cancela tudo vocês que sabem”.

O que eu vou falar aqui é a minha concepção do porquê tudo vai pras cucuias a partir do momento em que Max salva Chloe naquela bendita cena do banheiro que acabou a demo e me fez comprar o jogo completo.

Vamos lá, imaginem que o tempo é uma linha reta, bem simples né? Agora imaginem que cada uma das escolhas que cada ser humano faz na vida é uma ramificação nesta linha. Essa linha é uma estrada de mão única, você não pode voltar pelo mesmo caminho mas há sempre diversos caminhos a seguir. O destino não é pré-definido, há inúmeras possibilidades e o mundo todo está seguindo por elas agora mesmo, cada escolha sendo um caminho dentre infinitos outros caminhos. Porém, há horas em que todos esses caminhos acabam convergindo em um único ponto, um único acontecimento que une todas as trilhas formadas e então passa a se dividir em infinitos caminhos novamente. Esse ponto de convergência eu vou chamar de Ponto Fixo no Tempo (eu acho que usam esse termo em Doctor Who pra alguma coisa mas eu não assisto DW então desculpa). E então a morte de Chloe Price é um desses pontos fixos.

“Aff já tá falando bobagem, como pode ser um ponto fixo se a Max muda esse fato? Ou você tá falando que o poder dela pode destruir estes pontos fixos?” Não exatamente, eu acredito que o poder da Max na verdade pode fazer ela violar a lei da mão única, fazendo ela voltar pelos caminhos e escolher outras trilhas, outras possibilidades, o que pode implicar na destruição de um desses pontos fixos, que seriam destruídos de forma forçada já que literalmente não haviam outros caminhos ali. “Ah, mas o que te faz pensar que a morte da Chloe é um destes pontos?” Bom, pra começar, o fato de tudo ir pras cucuias por causa disso. Pensem comigo: Dentre todos os caminhos que após o Ponto Fixo da morte dela, todas as infinitas possibilidades, em nenhum deles havia uma Chloe Price. O ponto fixo evitava isso. Mas após a Max salvar a bendita, tudo que havia nesse fluxo do tempo mudou, vários pontos passaram a poder serem afetados pela Chloe. Cada interação dela com literalmente qualquer coisa no mundo gerava um caminho que não estava lá anteriormente, milhares e milhares de ramificações novas no fluxo do tempo geradas por apenas uma pessoa, o que eu uso pra reforçar a minha teoria é que: O fluxo do tempo sofreu um choque tão grande, que passou a afetar a realidade ao tentar se corrigir, pra criar novos caminhos e uma continuidade num futuro onde o Ponto Fixo foi alterado, haveriam consequências e essa é a verdadeira forma da tempestade em Arcadia Bay. É um “coice” da energia gerada pela desestruturação do fluxo do tempo. Ao escolher salvar Chloe Price, você está condenando toda e qualquer coisa que ela afete diretamente e indiretamente ao longo dos anos. Provavelmente após esse final, Chloe e Max vão viver com os pais da Max em Seattle, implicando novamente em interações com a Chloe e gerando caminhos que não existiam, forçando novamente o fluxo de tempo a mudar o que ocasionaria outro coice, dessa vez provavelmente em uma escala maior devido ao fato de que Arcadia Bay toda deixou de existir, cada pessoa que estava lá vai deixar de interagir com tudo que estava em seu futuro, cada um dos possíveis caminhos que eles seguiriam, não poderiam mais ser usados, graças à interferência da Chloe na linha do tempo.

Você pode pensar que LiS é sobre a amizade das duas garotas e como elas lutam pra sobreviver ao caos daquela cidade cheia de gente estúpida, o que justificaria salvar a Chloe no final. Pra mim, LiS se trata de uma história sobre consequências, você precisa passar por tudo que o jogo te põe contra, tudo aquilo, pra no final ver que nada adiantou. Parece bobo, e muitas pessoas até acham que o jogo deveria ter mais de dois finais, pra dar mais valor às escolhas feitas durante o jogo todo. Já eu acho o final em que Max deixa de salvar a Chloe o verdadeiro final perfeito, pois todas as experiências e escolhas feitas até então continuam com o jogador e com a personagem principal, por mais que não causem nenhum efeito perceptível no mundo do jogo, proporcionaram uma experiência significativa na vida de Max, suas escolhas como jogador afetaram tudo o que aquela garota aprendeu durante o jogo. Inclusive a última, a última escolha é a capaz de ensinar a ela que nem tudo pode ser mudado, que há situações onde você vai encarar escolhas impossíveis.

Meu ponto nisso tudo é que por mais que você salve a Chloe, elas nunca vão ter uma vida plena. Cada passo que elas derem a partir dali vai estar manchado, e sabe-se lá deus o que mais essa escolha vai destruir, porque seja lá o que for que destruiu Arcadia Bay, não vai parar por lá.