A mulher brasileira e o voto

O voto feminino no Brasil tem uma história recente. E o que se vê é a tímida participação da mulher na política, que ainda é sub-representada dentro dos espaços de poder, que ela deveria ocupar com igualdade junto aos homens.

Apesar de o Brasil ser um país com mais de 500 anos de idade, as mulheres só puderam realmente ter direito de voto em 24 de fevereiro de 1932, ou seja, há apenas 84 anos. E com restrições, já que somente mulheres casadas (com autorização dos maridos) e as viúvas e solteiras que tivessem renda própria tinham esse direito, que foi estendido a todas apenas dois anos depois.

Hoje, as mulheres têm o direito de não só votar, como também se candidatar. Mas ainda é pouco, pois apesar de termos a presença da mulher na política, ela é ainda muito tímida. Num país em que mais de 50% de sua população é composta de mulheres, a sua representação na Câmara é de 9% e no Senado, 12%. E a situação não diferente quando analisamos as câmaras municipais, prefeituras e assembleias estaduais.

É preciso que as mulheres se unam cada vez mais e se conscientizem sobre a sua voz e a sua importância. E tome os espaços de poder que também pertencem a elas, para que não sejam mais subrepresentadas e que suas lutas também tornem-se pautas importantes para a agenda deste país.

Este é o início de uma série de matérias que nós vamos dedicar às mulheres e a sua importância no Brasil no mês dedicado à luta feminina pelos direitos iguais.

Sugestões para entender melhor sobre o assunto:

“As Sufragistas”, filme de Sarah Gavron. Apesar de se passar no Reino Unido, o filme mostra um pouco da luta das mulheres para também ter o direito de voto.

“Mulheres no poder”, livro deSchuma Schumaher, e Antonia Ceva. Resgata a participação e a presença das mulheres no âmbito da política, que apresenta a trajetória de mulheres que lutaram pela conquista do voto, que ousaram se candidatar e que ocuparam cargos no âmbito do Legislativo federal, no Executivo e Judiciário, abrindo novos caminhos para as mulheres brasileiras.

“Voto feminino e feminismo”, de Diva Nolf Nazario. Lançado em 1923, o livro é uma compilação de artigos publicados em uma coluna na imprensa da época, que trazia um panorama da batalha da mulher na busca da cidadania plena, tentando alistar-se como eleitora. A obra teve grande impacto na época e é hoje um dos principais registros dos primeiros anos de ação feminista no país.