Foto: Fred Loureiro/ Secom ES (13/11/2015)

Desenvolvimento para quem?

Por Lorraine Paixão

Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o histórico crime ambiental da Samarco (Vale/BHP) completa sete meses e permanece impune.

No final de maio, o Ministério Público Federal entrou com um recurso contra a decisão que homologou o acordo extrajudicial entre a União e os governos do Espírito Santo e Minas Gerais com a Samarco/Vale-BHP. Um dos motivos do recurso se justifica porque o acordo foi feito somente entre os órgãos e as empresas, excluindo do processo de tomada de decisão os principais interessados: os atingidos. Considerado o pior crime ambiental causado no país, o rompimento da primeira barragem de rejeitos de Fundão destruiu completamente o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), e causou 19 mortes.

Além de riscar do mapa um distrito, o rompimento das barragens da mineradora matou um dos mais importantes rios brasileiros que abastece dois estados da Região Sudeste, o Rio Doce. Uma lama tóxica de rejeitos minerais tomou o rio, matando diversas espécies de peixes e impossibilitando o uso da água para consumo. O desastre ambiental de novembro de 2015 impactou diretamente não só o meio ambiente, mas a vida de muitas famílias. No Espírito Santo, as pessoas mais atingidas são as ribeirinhas e pesqueiras, que dependem do rio e da pesca para sobrevivência.

“No Espírito Santo, a escassez de água, que afetou principalmente o município de Colatina, gerou um verdadeiro caos social, em função da inabilidade na elaboração do plano de distribuição da água. Além da falta d’água em si, ocorreram graves situações de conflito e desagregação na sociedade”, analisa a cientista política Cristiana Losekann em seu artigo “Os impactos e os atingidos no Espírito Santo pela ruptura da barragem de rejeitos da Samarco” para a revista Trincheiras.

Os impactos causados pela mineradora Samarco, de propriedade da Vale e da BHP Billiton são enormes. Estão além de contaminarem o rio ou destruírem todo um distrito. O lar de muitas famílias foi desfeito, as raízes de toda uma comunidade foram cortadas, as histórias de vida foram interrompidas. No dia 5 de novembro de 2015, há exatos sete meses, os brasileiros viram de perto as cruéis consequências da exploração desenfreada e irresponsável em nome do desenvolvimento.