A Vida

O mais peculiar na vida é forma como ela surge. E como se desenrola. E como se dissipa, num sopro. No fundo o mais peculiar na vida é a própria vida. Não pela sua génese, que essa explica-se facilmente debaixo de uns lençóis e com as luzes apagadas, mas pela singularidade das vidas que se cruzam.

Não sabemos bem o propósito de andarmos aqui para trás e para a frente mas parece imperativo que não paremos. Sem levantar grandes questões e sem pensar demasiado são normas de conduta que nos são incutidas quase ao jeito de dogmas religiosos cujo incumprimento resulta invariavelmente em pecado capital.

Por que não podemos atravessar a passadeira a andar de costas? Por que razão não nos é permitido sair para a rua e gritar só porque sim? Porquê que não podemos sentar-nos no passeio numa tarde de sol? E andar descalço na rua, por que não podemos?

No fundo podemos. Mas não escapamos a um olhar de soslaio a roçar o desdenhoso…