Sobre o livro “A Revolta de Atlas”.

O livro A Revolta de Atlas foi considerado o mais influente dos Estados Unidos depois da Bíblia, segundo a Biblioteca do Congresso Americano. Quando o encontrei, em novembro de 2009, imaginei que seria uma leitura para meu entretenimento, algo para não pensar no trabalho ou na minha realidade cotidiana. Entretanto, essa obra se tornou num das mais importantes que já li, contribuindo para transformar minha maneira de ver o mundo como poucas vezes eu experienciei.

A literatura voltada ao debate filosófico é extensa, dos clássicos aos “modernos”, passando pelos pensadores contemporâneos e por aqueles que apenas falam do que outros já falaram. Existem escritas arrastadas, ideias apresentadas através de dezenas (às vezes centenas) de referências a outras ideias e textos que parecem mesmo não fazer sentido algum… E talvez seja essa a melhor maneira de apreciar esse livro, pois além de uma linguagem coloquial e estilo narrativo fluído, característica de boas ficções, Ayn Rand nos brinda com uma história que faz sentido e provoca reflexões sobre o cotidiano de nossas relações sociais, numa perspectiva bastante atual.

Assim como em Trem noturno para Lisboa de Pascal Mercier, sobre o qual comentei recentemente, os três volumes desta obra trazem as perspectivas de sua autora, uma controversa filósofa estado-unidense de origem judaico-russa, a cerca do pensamento objetivista, através de uma narrativa que revela um cenário no qual o totalitarismo se traveste de um coletivismo que anula toda a criatividade empreendedora e inovadora, numa sociedade que começa a ruir por conta de uma ideologia que não reconhece o apreço pelo ser humano em sua individualidade.

A história se passa nos Estados Unidos da América, numa época imprecisa, com o país em decadência econômica e social, numa trajetória em direção ao colapso. E é nesse cenário desolador que se começa a perceber que os principais líderes da indústria, negócios, ciências e artes começam a sumir sem deixar nenhum rastro… “Com medidas arbitrárias e leis manipuladas, o Estado logo se apossa de suas propriedades e invenções, mas não é capaz de manter a lucratividade de seus negócios” (da sinopse). As perguntas que precisarão ser respondidas, cujas respostas se revelarão na evolução da trama, são: Quem está por de trás dos desaparecimentos?; Qual seu propósito? e Quem é John Galt?

Ayn Rand nos lança uma história que precisa ser apreciada pelas reflexões que produz, muito mais do que pela linguagem ou estilo narrativo. Seus personagens são mais do que “atores” de uma trama, são personas que representam anseios e receios de uma sociedade imersa numa guerra silenciosa e que reflete tão bem nossa atual realidade.

Lembro de que quando virei a última página senti uma imensa vontade de gritar: “saiam do caminho”! Fiquei imaginando todas as pessoas que tiveram a oportunidade de lê-lo… de como podem ter sido transformadas. Teriam elas assumido para si mesmas a promessa feita pelos dignatários do vale (um quase spoiler), descobrindo seu potencial para transformar o mundo ao seu redor?

Eu assumi, perante mim mesmo, aquela promessa: “Juro por minha vida… e pelo amor a ela, que jamais viverei a vida de outro homem, ou pedirei que ele viva a minha”!

Um livro EXTRAordinário e fascinante! Uma lição sobre o trabalho e nosso próprio potencial, tudo descrito na forma de uma “ficção”(será?)…

Quer continar esse diálogo? Escreva-me para compartilharmos outras impressões sobre livros e filosofia aplicada à vida!

Rafael Giuliano,
 um homem de palavra, que cumpre aquilo que promete!

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