Carta do Futuro de um passado diferente

Aho!

Já faz um tempo que não apareço por aqui, e estava esperando uma razão especial para escrever algo que não fosse repetição ou obrigação de preencher blog.

Mas hoje me despertou uma vontade de compartilhar sentimentos por aqui.

Eu ia começar com “sinto que estamos vivendo no futuro

E a continuação seria….

Pois hoje na volta de visitar mais um incrível estabelecimento vegano que vende uma Kombucha artesanal, e foi o primeiro local aonde provei Ginger Beer, passamos frente a um espaço que estava inaugurando. Ao conhecer este local, vimos mais Kombucha e opções veganas, o que me permite dizer, que agora a uma distância que consigo caminhar sem auxilio de nenhuma condução já tenho mais de uma opção para alimentos veganos saudáveis e Kombuha está se espalhando pela cidade, em diferentes sabores e nomes.

Mas para mim futuro mesmo seria no dia em que isso não fosse mais uma questão. Quando naturalmente os estabelecimentos tenham alimentos vivos e naturais sem que isso seja uma moda, algo inédito, mais caro, e ainda pouco aceito pelo grande público.

Quando moradores de casas movidas a energias renováveis que tem telhados verdes em ruas aonde existem hortas comunitárias ativadas pelos moradores, os estabelecimentos locais tragam opções de leites vegetais frescos em embalagens ecológicas e cosméticos com cheiro de fitoterapia natural convidem a entrar na loja os passantes com suas sacolas retornáveis.

Mas a grande questão aí não é nem o que está sendo vendido e em qual embalagem. É mais profunda.

Afinal, um salgado vegano não precisa ser uma opção saudável eventual. Ser vegano é uma filosofia de vida de não explorar animais.

Mas por aqui no “passado” ainda tem gente discutindo se ser saudável é igual a ser chato e se preocupar com a nutrição é um distúrbio alimentar.

E sim, PODE ser um distúrbio, o que é muito grave e deve ser acompanhado por profissionais. Mas não é por se importar com nutrientes que uma pessoa ter um problema.

Vou até usar meu exemplo pessoal. Fui uma adolescente bem preocupada com peso, estética e com tendência a ganhar peso. Por isso já fiz dietas malucas algumas vezes e ao seguir dietas de médicos, e programas de acompanhamento, já adaptei para menos e tive desafios com isso. Por alinhamento (já que não creio em apenas sorte e não achei uma palavra melhor para esta frase), eu não passei dos limites e não tive consequências graves, mas além de situações reais, como baixa de nutrientes, eu fui muito infeliz contando calorias e me privando de certas coisas por dieta, para não ser gorda, etc.

Mas depois que me tornei vegana isso mudou, e não porque minha tendência física tenha se modificado magicamente, ou meu senso estético se transformado. Apenas porque meu olhar ficou diferente, e o alimento para mim deixou de ser associado a calorias, ele se tornou pouco a pouco = energia. É algo que me nutre, e pode me nutrir de boas energias, ou não tão boas, simples assim.

Falando em energias, venho reparado muito em como mais e mais pessoas tem se conectado com conhecimentos que vão além da racionalidade, nos aproximam da sabedoria da natureza e conectam mais com nossa própria essência. Isso é muito inspirador, e para ser sincera, muito mais próxima do futuro que eu espero do que computadores bonitinhos que controlam casas de energia limpa e jardins em caixas fechadas.

Neste final de semana estive em um evento vegano, lá aonde os aromas que descrevi acima preenchem cada esquina do salão, e cada vez mais expositores trazem opções saudáveis e ecológicas. Foi ali que eu provei pela primeira vez comida congolesa. Mas foi além disso, o dono do restaurante é um refugiado, que já mora há anos aqui no Brasil, e teve a chance de compartilhar um pouco de sua história por ali.

Uma pessoa, que como muitos outros, saiu de seu país por uma chance de sobreviver. Chegou em um local do mapa que o permite entrar, mas o trata como inferior. Além de pouca oportunidade, uma pessoa que cresceu em um local aonde era como a maioria, se vê vitima de racismo.

E em toda esta história temos o retrato de um país aonde um refugiado é como alguém da classe mais baixa:

- Como ainda existe tal classe se já estamos no futuro?

-Como podemos ter racismo se uma grande parte da população brasileira é negra?

-Como podemos generalizar pessoas, sendo que cada um é um indivíduo único que tem uma historia própria?

-Como nós brasileiro temos energia para criticar tanto um país que temos como ajudar a transformar, sendo que tem gente com saudade de sua terra, longe de seus parentes porque a cada dia ali era um novo tipo de risco de vida?

Eu sozinha não posso e nem vou responder nenhuma destas questões. Mas posso compartilhar que me tocou muito ouvir o Pitchou, eu cheguei no meio da palestra, em um dia de calor intenso no qual eu estava carregada de coisas, sentei no canto e ouvi ele com seu sotaque contar um pouco de sua experiência. Fiquei pensando em como nunca vou ter uma vivencia parecida com a dele, mas meus bisavós tiveram. E é graças a isso que eu estou hoje aqui, e tenho certas facilidades que quem é refugiado agora não tem acesso.

-Mas na escola não aprendemos que estes eram os imigrantes?

Pode ser que fique mais bonito assim, ou seja mais simples de passar o conteúdo esquema educação bancária. Mas honestamente, se o pessoal veio fugindo de guerras e perseguições é quase como responder uma questão de matemática.

E vai ver é aí que esta nosso desafio com o futuro. Precisamos re-significar o passado, e assim podemos finalmente focar as energias no que realmente importa — O PRESENTE.

O importante não é tanto se importar com a causa, mas fazer alguma coisa a respeito.

Sugiro focar na lógica: “A energia acompanha a atenção”. Você pode focar no desafios, ou em possíveis alternativas. E é esta energia que vai ser dominante no seu campo e reverberar em suas ações cotidianas.