Conheça a arte de Berna Reale

Uma forma de mensurar a a arte é observar seu potencial de impacto. Há pouco tempo falei aqui sobre a a arte moderna e suas cambalhotas recentes para se encontrar. Há uma profunda discussão entre forma e conteúdo da arte que renderá outros posts no futuro, mas existe também um bom senso em reconhecer artistas e obras que tenham ao mesmo tempo o apreço estético necessário para que seja assimilado e um propósito que justifique ser compreendido (aqui uma noção mais sensorial do que intelectual).
Berna Reale (Belém, Pará, 1965) é artista e perita criminal. Licenciada em artes pela Universidade Federal do Pará em 1996. Embora tenha trabalhos com artes plásticas e visuais, se tornou reconhecida através de suas instalações e performances, meios que constituem a base de seus trabalhos mais recentes. A partir de 2009, quando recebe o grande prêmio do Salão Arte Pará, sua produção circula de forma intensa pelo país e no exterior, voltando a ser premiada no programa Rumos Artes Visuais, do Itaú Cultural (2011) e no Prêmio Pipa (2012 e 2013). No mesmo período, presta concurso para atuar na perícia criminal do Estado do Pará.

A violência é o grande tema de sua obra, especialmente a violência realizada pelo Estado e pela sociedade. Sua abordagem evita tocar nos lugares comuns a que estamos acostumados, as instalações e performances são compostas de um refino profundo onde existe o completo contraste entre o belo e o chocante. De fato, o choque fica em segundo plano. Tal qual a natureza naturalizada da violência no nosso país, as obras passam com um profundo sentimento de um ato corriqueiro embora muitas vezes sejam de um completo absurdo. Do corpo estirado que não é mais do que um elemento da paisagem até uma biga romana puxada por porcos, todos os trabalhos tem o cuidado de serem registrados de forma natural. Seus registros, tão bem pensados quanto as obras em sí, passam a mesma sensação narrativa de algo estranho, porém comum. E isso é belo. O diálogo existente entre as obras e nossa própria percepção da violência cotidiana.

Começa a exercer a função em 2010. A atividade garante-lhe autonomia financeira para desenvolver seus projetos e, ao mesmo tempo, permite observar de perto os efeitos do tema central de sua pesquisa: o impacto da violência no cotidiano das pessoas. Por meio de ações e performances minuciosamente concebidas, Berna Reale desvenda aspectos ocultos das relações de poder, de caráter individual ou social. A artista, que se define como uma pesquisadora obcecada, trabalha com projetos bem definidos, com fortes referências simbólicas, personificando signos e ícones de grande impacto.
Acesse aqui o site da artista.
