Por que o riso de Ciro e Boulos faz bem à esquerda

Vou ser breve. Há alguns anos tenho alertado aos mais próximos e escrevendo textos na internet para mostrar que um dos equívocos da esquerda brasileira — e hoje tantos são tão visíveis — é ter se tornado, ao longo dos anos, inacessível à base da população.
Foram anos de políticos que reforçavam o populismo e o combate pelo combate. Ainda sentido hoje, a militância em torno de temas importantes ganhou ares de um cavalo de batalha. Esses ares afastam as pessoas e criam uma aura de autoristarisdmo que reforça os esteriótipos que tanto servem a uma hegemonia.

Resultados vemos aí.

Por isso, ao ver a rocambólica combinação de Cabo Daciolo e Bolsonaro muito me alegrou descobrir que restava à esquerda presente a única reação possível: o riso.

Sabemos que para bem e para mal, a esquerda parece estar irremediavelmente derrotada nessas eleições presidenciais. A despeito dos compiracionistas que chamam o PSDB de esquerdista, seu projeto de alianças com o centrão e o empresariado deve render frutos para uma direita tradicional brasileira. E não se pode ignorar Bolsonaro, em primeiro nas intenções de voto que pode sim, agariar parte do eleitorado através de uma campanha alarmista.

Ainda assim, ver uma esquerda que aceita — escondida no fundo das câmeras, deixemos claro — o deboche e a ironia da voda.