
Vivemos hoje numa economia baseada na atenção, que se tornou um dos ativos mais preciosos do mercado. Apesar de dispormos de recursos tecnológicos praticamente ilimitados, só podemos contar com as mesmas limitadas 24 horas para comer, trabalhar, estudar e dormir. Nesse contexto, é natural que tantas empresas, apps, informações e redes sociais disputem ferrenhamente a nossa atenção. Tanto que, ao acordar, a primeira coisa que fazemos é pegar o celular para ver se não estamos perdendo alguma informação, capaz de alterar o rumo de nossas vidas. Todo esse processo dispara um alerta, e a bandeira vermelha sobe.
Nesse cenário complexo, onde somos educados como no milênio passado, onde a tecnologia vem tomando grande parte do nosso tempo — e não conseguimos frear o ímpeto de checar o novo like em nossa última foto de viagem — fica claro que, mal aprendemos a lidar com o mundo, percebemos que ele já descambou para o outro lado.
O passado linear, sobre o qual projetávamos nossa existência, não serve mais como parâmetro e bússola para o futuro, dado que as tecnologias que permeiam nossas vidas não são lineares — e sim, exponenciais — e atropelam os modelos antiquados, sem pedir licença.
Enquanto aquele chip do celular ou do computador dobra sua performance a cada 18 meses, imagens de ressonância cerebral dobram de resolução a cada ano. Enquanto a performance dos drones dobra a cada nove meses, os avanços no sequenciamento genético, no campo de biotecnologia, dobram a cada seis meses!
Enfim, nunca vimos tantas mudanças acontecerem tão rapidamente em toda a história da humanidade. Se a sensação de pertencimento a outra realidade é iminente e real, o que devemos pensar do governo, da família, da religião, da educação, das leis, da privacidade, dos esportes, da mídia e da ciência, entre outros? O mundo conhecido se apresenta não só como catalisador de imensos desafios, como também um campo fértil e atraente para o surgimento de enormes oportunidades, antes sequer imaginadas.
Robôs, inteligência artificial, avatares, redes computacionais (onde qualquer objeto, de um simples lápis até um brinquedo, pode tornar-se fonte de interatividade), bio e nanotecnologia, computação quântica…Esses elementos — considerados isoladamente ou em conjuntos, convergências e combinações inimagináveis — já estão em curso. Bilhões de dólares estão sendo investidos no exato momento em que você lê este texto.
Em 2020, teremos 3 bilhões de pessoas a mais, conectadas via internet; teremos mais de 100 milhões de dispositivos conectados em rede e 1 trilhão de sensores; câmeras em telefones, drones, carros autônomos, satélites, tudo sendo gravado e interpretado em tempo real, por inteligência artificial. Nossa privacidade se foi? Ou, pelo contrário, poderemos tirar proveito da maior transparência? Nos próximos 20 a 30 anos, 48% das profissões serão substituídas por uma mistura de robôs com inteligência artificial. Dúvida: o que você acha do Waze ou AirBnB substituindo empregos até então existentes (e criando outros)?
A tecnologia sempre criou novos empregos (vide programadores de computador, vloggers, bloggers e youtubers), faturando alguns milhões por ano e retirando poder e renda da mídia estabelecida. A sociedade se adaptará? O Estado precisará bancar um salário mínimo básico para quem ficar alijado desse processo irreversível de mudanças? Trabalharemos menos dias na semana? Haverá espaço para fazer o que se gosta ou desenvolver um talento único? Perderemos finalmente o medo de que nossa luz interna brilhe?
(continua ….)
Texto por: (SISTEMA FIRJAN • MAPEAMENTO DA INDÚSTRIA CRIATIVA NO BRASIL • 2016)
