Ai que chique, você vai pra Europa!

Faz um tempo, eu vim aqui contar sobre as dores e as delícias de ficar desempregado. Mais dores do que delícias naquele momento, é bem verdade.

O medo daqueles primeiros dias passou, eu apontei minha vida para um outro rumo, e estou saindo pela primeira vez em uma viagem internacional. Peguei um dinheiro com a rescisão, tem um freela ou outro caindo, a questão é que estou indo. Certeza que minha mãe considera isso algum tipo de loucura, não que ela jamais tenha verbalizado, aliás pelo contrário, ela tem sido um dos suportes positivos que tenho encontrado no meio do caminho. Valeu mãe, é nóis!

Mas como a gente gosta mesmo é de desgraçar nossa cabeça, com essa decisão vieram também muitas noites sem dormir, uma comilança desenfreada — não que eu não gostasse de comer desde sempre, não vou mentir, alguns problemas que a gente inventa, e uma burocracia ou outra a ser resolvida.

Agora que a data se aproxima, tudo parece resolvido, mas não está. Fico aqui a pensar como serão os dias lindos em Portugal, verão, brisa do mar, dias quentinhos que só terminam as 21hr. Parece tudo lindo e que já vem com filtro do Instagram. Mas uma parte do meu corpo me diz que não vai ser bem assim.

Os dias podem ser azedos, nublados, e cheios de filas para conseguir resolver problemas de documentação.

Não estou largando tudo para mochilar na Europa. Largar tudo significa ter alguma coisa, material. Estou indo com o dinheiro contado para poder fazer um programa ou outro, me alimentar e conseguir me locomover. Não tem startup bancando o sonho da liberdade europeia, não tem papai enviando mesada. Suspeito que nem se estivesse vivo, coitado, se daria a tal luxo. Ainda mais pra filho marmanjo com mais de 30 anos nas costas.

Mas não sou esse poço de pessimismo. Pode não parecer, mas estou muito, muito feliz com tudo isso. Estou fazendo “tardiamente”, o que quem pode faz com 22, 23 anos. Mas não vejo problema nenhum. Considero até que as coisas pra mim acontecem assim porque elas tem que ser assim mesmo. Talvez eu não tivesse maturidade pra viver fora do país aos 22 anos. Dinheiro certamente que eu não tinha. Talvez eu não tenha agora. Só saberei quando sair daqui.

Os planos estão escritos, planilhados, os documentos estão emitidos e eu não sei o que esperar. Espero pelo melhor sempre, tento ser uma pessoa positiva e com uma energia boa pra deixar por onde passo. Não sei se consigo, mas tento de coração, e pra me ajudar, eu tenho uma legião de amigos que comprou esse sonho decidido em uma semana de Abril de 2017, que está virando realidade 3 meses depois.

Eu não sei bem em que parte eu me perdi, mas esse texto virou um agradecimento coletivo aos amigos. Talvez a mim mesmo. Estou me permitindo, abrindo meu coração pra novas experiências, vidas e sóis quentinhos em finais de tarde de inverno.

Talvez eu mantenha esse diário de viagem por escrito. Talvez não. Estou aqui sendo Zeca Pagodinho, e deixando a vida me levar da melhor maneira possível.

Dizem que a vida começa aos 30 (se não dizem, estou dizendo agora), então estou começando a viver.