Portuguesa, com certeza
Parei de contar minha história de chegada em Lisboa ainda no metrô. Acabei me alongando com a coisa do Marrocos. Acontece.
Estou pensando aqui, nada que eu escrevo é exatamente novo, imagino sim que mais da metade dos meus amigos próximos já tenha viajado pra muitos lugares, então nada dessa burocracia que relatei é inédita. Mas tudo bem. Acredito em histórias sob novas perspectivas, nem que seja a da burocracia.
Mas então meus amigos, chegamos em Lisboa, ora pois. Sempre acho que se eu soltar um ora pois pra algum português ele vai me dar um soco na cara. Ainda não ouvi nenhum clichê da língua por aqui eu acho, desses que a gente tá acostumado a reproduzir no Brasil.
Das pequenas coisas que vivi por enquanto, sair do aeroporto e tropeçar dentro do metrô da cidade foi uma mão na roda. A cidade não é grande e o transporte em trilhos abrange boa parte. Coisas pequena, mas que SP está carente desde sempre, não preciso nem entrar nesse mérito.
Saí do metrô arrastando minha mala, que é tudo que eu possuo por enquanto. Dei de cara com um céu azul, um sol de final de tarde e fiquei ali, de mala e cuia, olhando pra aquela paisagem. Aquela coisa de não entender ainda onde você está, o que está acontecendo e porque está ali. Era um dia lindo, uma cidade linda, e o mais legal, do outro lado do Atlântico. Onde eu nunca havia pisado antes.
Foi uma sensação muito louca. Ainda é.
Muito louca porque esse movimento todo não é apenas uma viagem de férias. Eu gostaria muito de poder passar um tempo aqui, trabalhar, quem sabe estudar. É um movimento real que acredito numa possível mudança de vida. Veja bem, não tenho intenção de virar matéria do hypeness com aquelas manchetes “Jornalista larga tudo pra morar na Europa, confira seu Instagram”. Mas se quiserem conferir, pode. Mas venho com o sentimento de reset que dei na vida. Enfim, isso é outro post.

Lisboa me conquistou no primeiro tram errado que eu peguei. Obvio que eu ia fazer isso. Peguei no sentido errado, com mala e tudo, mas com fé em nossa senhora do wifi eu consegui ver no GoogleMaps que eu estava indo em outro sentido. O que foi até bom. Já fui vendo paisagens de tirar o fôlego, e deu pra esquecer um pouco dos 30 graus que o termômetro batia as 18hrs.
Dei de cara com a Praça do Comércio, que é tipo a atração principal da cidade, uma praça imensa com o Rio Tejo ao fundo, a cidade no outro plano, e muita, muita gente na rua.
Fui até o ponto final, fiquei preso na porta quando ia embarcar no sentido correto, aprendi ali que é você quem abre a porta pra entrar apertando um botão do lado de fora do carro. Uma senhora simpática me ajudou a colocar a mala pra dentro. Me senti vindo do sítio, arrastando mala, com uma roupa que não era adequada para aquele clima, só faltou uma galinha e um bode pra me acompanhar na jornada pela cidade grande.

Eu nunca estive em uma cidade turística nesse porte, acho que nem as vezes que estive no Rio, que estive no réveillon de Copacabana, nunca tinha visto tanta gente falando tantas línguas distintas como vi no trajeto todo do aeroporto até a casa dos meus amigos. Uma loucura.
Cheguei, dropei a mala e tocamos pra rua a explorar as pequenas ruas, os bares pitorescos e as ladeiras que levam até o Bairro Alto. Os nomes aqui são bem literais, não tem erro.
Na primeira noite a perdição já foi grande, subimos e descemos morros matando a sede com meio litro de cerveja a 2 euros. Mais uma vez multidões de turistas nas ruas, os espanhóis são mais perceptíveis porque falam tão alto quanto a gente, latinos né mores?
E voltamos pra aquele ciclo, onde cada canto da cidade é encantador, cada rua nova que se entra é uma surpresa boa. Pode ser tudo balela de turista empolgado, mas a cidade tem uma vibe muito legal. Mal tem duas semanas que cheguei, e ainda hoje atravessando uma rua ali no Cais do Sodré me senti bem, me senti acolhido. Grande parte por estar hospedado na casa de amigos, sejamos realistas.

Ainda essa semana começa a etapa dois, e vou trabalhar em um hostel no litoral de Lisboa, na Costa da Caparica. Dá um Google aí porque eu não tenho cara de enciclopédia. Lá, eu vou ter que me virar nos 30, atendendo gente do mundo inteiro que descobriu o verão português como destino de férias, que pelo que ando lendo, não era tão comum assim há alguns anos atrás.
Lisboa virou a esquina do mundo, o brasileiro por razões óbvias tem suas afinidades com essa cidade que é uma mistura de Rio de Janeiro com ladeiras do Pelourinho. Estou aqui exatamente nesse momento de mudança, inclusive para a cultura local para absorver toda essa gente. É o famoso vamos ver o que vem por aí, não dá pra saber ainda.
