A tradicional família brasileira não gosta de futebol feminino!

O futebol.

Eu e mais uma enorme porção de gente, considera o melhor esporte de todos os tempos, e ainda, por experiências próprias acredito que é o que exemplifica melhor a chamada “emoção do esporte”. A junção de fatores como técnica, competência, disposição, vontade e principalmente a imprevisibilidade, são capazes de criar partidas com roteiros que nunca seriam imaginados, nem mesmo pelos mestres da sétima arte.

Todas essas incríveis características criaram uma legião de entusiastas, admiradores, aficionados, torcedores, apaixonados. No Brasil, chega a ser incrível como o futebol é um assunto praticamente unânime. Algo realmente impressionante, praticamente 90%, de mais de 200 milhões de pessoas que gostam da mesma coisa? (Claro que sei que tem muita gente que não se encaixa nestes dados discutíveis).

Porém, agora é possível questionar:

Então o que há de errado com o Futebol Feminino?

A Copa do Mundo de Futebol Feminino, assim como no masculino é o torneio mais importante do esporte e a atual edição, disputada no Canadá já está entrando nas oitavas de final. E a seleção nacional segue bem na competição, Marta nossa principal jogadora já é artilheira recordista na histórias das Copas. E ninguém está sabendo?

Ao comentar com meus amigos admiradores de futebol, sobre a copa do mundo escutei respostas frequentes como: “Futebol das mulheres”, “Ahh aquilo não é futebol” “Não tem graça”. Mas como assim, não é o futebol? O esporte que todos amamos?

É importante refletir de onde vem esses comentários, meus amigos não foram irônicos, machistas, maldosos ou qualquer coisa do tipo ao responderem dessa forma. Eles foram apenas naturais, como a maioria das pessoas também é quando se trata de um ponto que borra a definida linha, entre os espaços de representações de gênero. E esse é o ponto preocupante, o quanto esse ponto de vista está enraizado na cultura, na nossa sociedade de uma forma que já é, mais do que natural.

E aí, fui procurar os jogos para assistir na televisão e o que encontrei? Jogos do campeonato português, campeonato brasileiro Sub-17 e reprise de Corinthians x Fluminense de uma semana atrás… Serio? Impressionante pensar que a COPA DO MUNDO aquele evento tão legal, que trouxe todo aquele furor e alegria no ano passado, que fez história nas terras tupiniquins em 2014, que fez com que o país vivesse em festa durante um mês praticamente, agora passa totalmente despercebido pela noticiário, pelo público e pelo mídia. E se não houvesse internet?

E olha que não irei nem comentar muito a declaração dos senhor Marco Aurélio Cunha, pois sério mesmo, existem lugares mais adequados para você que está interessado em ver mulheres de shortinhos e com muita maquiagem! Só lamentamos pelo fato de ele ser um representante da estimada e descredibilizada Confederação Brasileira de Futebol aka CBF.

Em tempos onde as questões com foco na igualdade estão em constante discussão, a “tradicional família brasileira” obviamente não gosta do futebol feminino. E assim, estes assuntos, temas e eventos são deixados de lado, como se simplesmente não existissem. A principal justificativa da mídia é que ninguém tem interesse… Bom dito isso, é sempre bom lembrar o que é a “tradicional família brasileira” e quem ela realmente representa quando justifica as coisas dessa forma, faça um favor para os seus amigos e para o mundo esclarecendo essa questão.

Para quem é esta mensagem? E porque ela está sendo dita desta forma?

Um dos jogos de futebol mais emocionantes que já assisti na vida foi protagonizada entre as seleções femininas do Brasil e dos EUA, nas semifinais do último mundial em 2011, que jogo! Tenho certeza que se meus amigos tivessem assistido esse jogo se lembrariam dele como eu me lembro. Não pelo fato da seleção brasileira “feminina” estar em uma semifinal de copa do mundo, também não é pelo fato de que “essas mulheres” sabiam jogar futebol, mas sim por que foi um excelente jogo de futebol!