Se aquela xícara tivesse ouvidos

Imagine se uma xícara de café tivesse ouvidos. Imaginou?

Sério mesmo, imagine se uma xícara fosse capaz de escutar tudo, todas as palavras ditas nos cafés da manhã da cozinha, todas as palavras ditas desde que ela saiu daquela caixa que estava na prateleira da loja de conveniências, para fazer parte do cotidiano daquela pequena empresa. É disso que estamos falando.

Ela saberia daquela vez em que Marcos estava reclamando incansavelmente do seu chefe, após ter trabalhado 5 horas extras na noite anterior.

Ela escutou toda aquelas piadas sujas contadas pela Fabiana na mesa, aquelas que deixaram todos baquiabertos, pois a Fabiana era tão quietinha, tão tímida.

A xícara ouviu toda aquela trama, aquela reuniãozinha suja, para puxar o tapete da Letícia, ela que era tão honesta e justamente esse fato que fez com que ela fosse manipulada.

Ela escutara aquela briga homérica entre o Gérson e a Simony, tudo por causa de uma suposta terceira pessoa que seria tão “boazinha” que dizia que “só estava querendo ajudar.”

A xícara que notou quando o café saiu um pouco mais amargo do que o normal, pois a Letícia estava preocupada e sabia que não podia perder aquele emprego, não com tantas dívidas.

A xícara que presenciou o momento surpreendente em que o Gérson, mesmo sendo chefe se demitiu da firma alegando motivos pessoais.

Ela estava lá, mesmo depois do expediente, quando a Simony achava que estava sozinha e deixou as lágrimas caírem se lamentando sofrendo de saudades.

Ela estava lá na calada da noite, quando aqueles dois comemoravam o sucesso do plano e aguardavam ansiosos o acréscimo de zeros aos números dos seus contracheques.

A xícara viu quando Fabiana assumiu o cargo do Gérson, ela que acabara de completar 6 meses de casa e agora era o principal nome da empresa.

Se aquela xícara tivesse ouvidos ela saberia muito bem o que aconteceu e poderia esclarecer toda a história. Todo o golpe. Mas ela não tem, é apenas uma xícara… que não sabe de nada. Assim como ninguém nunca soube.

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