Ácool


Não sei explicar
o motivo de ressecar meus
lábios
e nem de ouvir
sinos badalando
no completo silêncio
deste escuro quarto.
minha língua
provoca os sons que eu nunca
ouvi, sons da
minha saliva
molhando meu lábios
ressecados.
respiro e ouço
meu coração bater
amiúde.
amiúde.
repetidamente.
bate sem motivos.
bate por bater.
bom bom
bom bom.
nos meus dedos
formigas andam
atrás de migalhas
e não encontram nada
apenas minha vida
pulsa.
meu ouvido continua
produzindo o som dos sinos
que eu jamais ouvi.
com tudo que passa
minha mente não passa.
é o rosto dela
que vejo
e sorrio
por poder ver
e poderei ver.
por isso sorrio.

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