Bulimia

a fome, camaleoa
esconde-se por trás das vísceras
busca refúgio na sina
acalenta-se à nicotina

mísera

entre os padecimentos da rotina
é abalada com selvageria
de cirúrgica lisura tímida:

basta levar à alma
um par de pratarias
ou as próprias patas
para que devore-te a sina

faz disto chacina
e acaba vez por todas
com tal epifania

o amor
se não canibalismo
tortura inglória

avassala sem prece
desbanca serenamente
consome veemente

é anemia
polivalente

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