Obviedades

— Como foi?
— Pedi para que cantasse nossa canção.
— Eu chamaria isso de automutilação.
— Na verdade, supliquei. Supliquei para que flanasse nas ruas como quem pouco quer, pouco espera e muito deseja. Que passe por outros ouvidos, encante outros risos e arrepie outros poros. Mas que, quando o fizer para mim, que seja a plenos pulmões, de modo que lhe falte o ar, bambeie as pernas e sufoque os alvéolos. Extirpados sejam eles! Veja bem: não o quero mal. Acontece… Acontece que não sei. Sou averso, do contra, pró-não. Não posso, não quero e não consigo conviver com os minimalismos sentimentais do coração de quem não enfarta por sofrer de amor.

Silêncio.

— És contraditório, Rafael.
— Disso sei.