Quando a Puni chegou lá em casa, ela era uma bolinha de pelos revoltada.
Foi minha mãe quem adotou. Ela disse que chegou lá na moça que tava doando os filhotes e, assim que minha mãe abriu o portãozinho, a Puni — que ainda não era Puni — veio correndo e latindo pra cima dela. Isso foi há muitos anos atrás, eu ainda tava na faculdade, com um círculo de amizade que infelizmente não existe mais. Éramos otakus (outra época, já disse), e eu conhecia um anime MUITO idiota chamado Labirintos de Fogo. Apresentei os dois episódios pros novos amigos e eles me apresentaram um outro, também de dois episódios e também MUITO idiota. O anime se chamava Puni Puni Poemi.
A Puni (a cachorra, não a personagem) sempre trouxe alegria lá pra casa. Tudo pra ela sempre tava ótimo, era a melhor coisa do mundo — se a gente tivesse por perto. Todo mundo que ia lá em casa ela tratava como se fosse o melhor amigo da vida toda, que ela tava morrendo de saudade-como-assim-você-ficou-tanto-tempo-sumido, mesmo que fosse a primeira vez que visse a pessoa.
Em dois segundos, ela estaria pulando em você e te lambendo. No terceiro segundo, ela pegaria o pano que forrava a casa dela e correria de você, pra você correr atrás.
Só que agora ela pegou o pano e correu pra onde não dá pra alcançar. Cachorra safada.
Sempre critiquei homenagens póstumas. “Se te importa tanto, por que só falou coisas bonitas quando perdeu?” Erro meu. A Puni era tão presente, o tempo todo, em todos os lugares da casa, que fiquei com a ilusão que era eterna.