Riscos do Autoconhecimento

Esse ano foi um ano de autoconhecimento.

Aprendi muito sobre mim, sobre como eu sou, sobre as coisas que realmente quero e sobre o que eu posso me permitir querer.

Coisas positivas, tipo minha relação com o medo: Perceber que eu nunca deixei, nem deixo, o medo me tolher, me impedir de fazer alguma coisa. Sair de um emprego que me desagrada, mesmo sem ter nada em vista; fazer uma visita surpresa, sem nem saber se serei bem recebido, sem nem saber se a pessoa poderia me ver; andar por todas as ruas, em qualquer horário, mesmo tendo a CERTEZA que vou me perder muito antes de achar o caminho.

E coisas MUITO negativas, tipo descobrir um lado negro, vil, pingando veneno. Um lado que me embola o estômago só de lembrar que existe e que eu, com toda a sinceridade, não sei se consigo controlar quando ele voltar.

E ainda mais coisas negativas, tipo descobrir que eu sou, sim, capaz de atentar contra minha própria vida. Mais de uma vez até.

É muito bom se conhecer, mas é muito ruim ter que admitir pra si mesmo o quão imperfeito você é. O quão escroto e babaca você consegue ser. O quão escroto e babaca EU consigo ser. Me fez querer colocar essas coisas na balança, ver se eu chegava pelo menos na metade e claro, CLARO, que não existiu possibilidade de enxergar qualquer qualidade nesse momento. Nessas horas eu mergulho igual um cometa no modo Pensar Besteira(TM).

Mas existem as qualidades, todos temos, todos MESMO. Alguns mais que outros. Algumas pessoas são pacientes, outras colocam o bem estar dos outros na frente das delas mesmas. Existe quem decida dedicar a vida a fazer o bem ao próximo; existe quem sonha em simplesmente ter uma família feliz e saudável, que janta na mesa todos juntos todos os dias. Existe quem prefere encarar as coisas boas da vida e ignorar as ruins e existe quem tenta ver as coisas boas até mesmo nas ruins.

E, claro, existe quem simplesmente é todas essas coisas juntas.

Entre aprendizados e conhecimentos, encontros e desencontros, esse ano tá sendo intenso, tanto pra um lado quanto pra outro. Pelo menos escapei de ter um ano morno. Prefiro sempre passar pela pior fossa do mundo do que estar razoavelmente “bem”.

E, como diz o Osho, caminhar no agora é a coisa mais difícil do mundo. Não olhar pro passado nem pro futuro, apenas pro agora. É como caminhar em cima de uma navalha, sabendo que essa navalha é a única ponte que te leva até o fim da sua jornada. Machuca, machuca muito, mas é melhor do que cair pra um lado ou pro outro e ter que começar tudo de novo.

É sim, a coisa mais difícil do mundo.