Sobre Honestidade e Disponibilidade

Terminei hoje (ontem) o treinamento para um trabalho voluntário aqui em São Paulo.

Felizmente, fui considerado apto a exercer o trabalho, mas esse não é o ponto hoje. Eu aprendi muito sobre muita coisa durante esse treinamento. Mesmo que eu não passasse, teria sido uma experiência incrível. FOI uma experiência incrível.

Aprendi muito sobre comunicação, sobre atenção, sobre o real sentido de empatia e… Olha, é bem raro, viu?

Conversar com alguém, escutar a pessoa apenas esperando pela sua própria vez de falar. Competir com volume e quantidade de problemas. Não prestar atenção total, estar apenas no modo automático do “arrã” e “urrum”. Aconselhar.
Tudo isso não é errado, de forma alguma. É difícil apontar alguma coisa e dizer “isso é errado” ou “isso é certo”.

E este também não é o foco hoje.

Como é um trabalho voluntário, não existem muitas requisições. Apenas um treinamento, uma direção para as “formas preferíveis” de abordagem. E, claro, a apresentação total da forma de trabalho da instituição que é, acredito, o principal objetivo desse treinamento. Inclusive foi minha maior dificuldade, aceitar exatamente qual o papel da instituição, qual é seu real objetivo e qual é sua real abordagem.

E esse é o foco de hoje.

Falou-se muito sobre a disponibilidade do voluntário. É sobre a questão mais óbvia, de horários que você tem livre para dispor? Sim.
É sobre sua adequação às “diretrizes” de lá? Também.

Mas é principalmente sobre o que você pode oferecer à pessoa que solicita o atendimento. E essa é uma questão importante, que eu quero levar pra vida toda. Vai ajudar principalmente nas relações futuras e, por isso, eu gostaria de compartilhar aqui:
Ser honesto quanto à minha própria disponibilidade é ser honesto quanto ao que posso oferecer a alguém. É ser honesto com quem sou, com o que trago comigo, com o que tenho à minha disposição. É saber também até onde eu consigo ir, até onde eu posso chegar por alguém e por mim mesmo.

E é ser honesto também quanto ao que eu quero, quanto ao que preciso, quanto ao que espero. E ser honesto comigo mesmo foi o primeiro passo pra ser honesto com o mundo. É não criar uma expectativa injusta, como já fiz tantas vezes. Criar expectativas que não foram alimentadas por alguém, esperar algo que outra pessoa não pode oferecer. Foi forçar a barra com isso, empurrar o ponto para muito além da linha.

E com isso, a mágoa de todas as partes.

Eu magoado de um lado, cobrando algo que nunca me foi prometido, que não havia como me ser entregue. Mas lá estava eu, magoado e magoando.

Ser aprovado para o trabalho voluntário me deixou feliz. Sempre observo que todo mundo tem algo a oferecer pro mundo e sempre me perguntei o que eu podia oferecer. Percebo que posso oferecer meu tempo e essa conclusão me foi muito importante no momento que eu passava. O trabalho vai ser total e completamente voltado para a outra pessoa, a que entrar em contato com a instituição. E por isso, só por isso, eu me permito sem peso na consciência essa egotrip de auto aprimoração.

Ser honesto, brutalmente honesto, sobre o que posso oferecer vai me ajudar a reconhecer o que pode me ser oferecido. E já está ajudando a ser brutalmente sincero sobre o que eu quero e espero.

Espero de coração nunca mais magoar ninguém o tanto que eu já magoei até hoje.