Vinte e nove, mas não é a música

Aos vinte e nove anos, eu estou bem.

Se você queria a versão resumida, é essa aí. Acho que, hã, forte abraço e até ano que vem? I don’t know.

No momento, tudo está bem. Evito passar mais de um dia sem escrever, hobbies surgem, velhas manias somem. Li boas histórias, joguei bons jogos, falta muito pra Setembro e as derrotas do Redskins… Sim, tudo está bem.

Existem aqueles dias que não está tão bem assim. Dias em que é difícil colocar palavras no papel, dias que tudo parece errado, como se o sol tivesse nascido ao contrário. Acontece com todo mundo. Li em algum lugar da internet, alguma arroba de algum site, dizendo que dá pra saber se a vida tá boa se tiver rolando mais momentos bons do que ruins. Se for essa a medida (e foda-se, tô dizendo aqui e agora que é), a vida tá bem boa sim.

Mas tem um motivo maior, claro.

E é difícil de colocar em palavras (a frase que todo escritor gosta de ver saindo de si), porque é difícil demais de listar. Por exemplo, eu poderia dizer que amo minha noiva porque ela listou sabores de pastel quando eu falei “cinco pras três”, mas não é só isso; é ela segurando o riso enquanto esperava eu entender do que ela tava falando.

Poderia dizer que sou feliz de estar ao lado dela porque ela é um acervo ambulante e aparentemente infinito de músicas, mas a graça é ela cantar junto comigo, independente da música que eu puxar. A graça também é quando ela puxa uma música brega do nada.

Acho que dava pra falar que é porque a gente tem gosto parecido, mas isso seria um tiro longe da verdade. Na verdade, nós nem temos gostos tão parecidos assim. O que normalmente acontece é nos empolgarmos por motivos diferentes. Aconteceu com Fragmentado, também aconteceu com Guardiões da Galáxia. Saímos do cinema querendo comentar de cenas diferentes, nossas partes favoritas dos filmes não foram as mesmas. Mas, e essa é a parte importante, as partes que detestamos foram as mesmas. Acho que o mágico é odiarmos juntos as mesmas coisas.

Em uma lista lógica e fria, eu não consigo dizer os motivos de amar a Talitta. É o olhar silencioso que a gente troca quando achamos algo engraçado. É poder falar a neura que for, sem medo porque o outro vai entender. E, mesmo assim, não são só essas coisas, mas são elas também.

É andar de mãos dadas. É se perder nas ruas de São Paulo e não se preocupar, porque não faz diferença, não tem problema, nós já estamos juntos. É deixar de procurar um ao outro e procurar coisas juntos. É lembrar que, independente do dia, nós vamos nos ver à noite. Nunca vou conseguir dizer quão bom foi finalmente deixar pra trás as despedidas no metrô. Acho que o maior motivo (o segundo maior) pra corrermos com a mudança foi porque não dava mais pra passar dias separados.

É o sorriso que ela dá quando implica, é a gargalhada por qualquer bobagem. É a cara de ódio quando xinga os vizinhos, são os músculos dela quando faz posturas de yoga, a cara séria quando fala apaixonadamente da carreira de professora. Mas não é cada uma dessas coisas separadas.

É a soma de tudo, acho.

Sou feliz por causa dela e sou feliz com ela. Além de tudo, ela me deu meias de presente. Caralho, como eu amo essa garota.

Meias, cara.