Palavras não lidas

Estava pensando, assim como de costume, em tudo. E é claro que o tudo inclui você, aliás, uma grande parte dele. Lembrei da sinceridade que tinham minhas palavras quando as poucas vezes que eu escrevia pra você ou sobre você. E as mais sinceras, você nunca leu, nunca pôde ler até agora. Talvez porque o ‘destino’ achou melhor que você nunca as lesse, ou porque ele preferiu me poupar de suas mentiras que até então eu não sabia, ou mesmo então aquele não era o momento certo de você ler. Ou quem sabe, se você as tivesse lido, você, talvez, poderia ter olhado de outra forma. Ou talvez o sentimento que você tinha poderia ter se prolongado, pelo menos por mais algum curto tempo. Ou realmente de nada adiantaria.

Eu dei o meu melhor pra que pudesse ter dado certo, e deu. Mas deu certo por apenas um curto período. E é ai que você tem que perceber que você tentou ser o melhor pra pessoa, você a amou o máximo que você pôde, porque de alguma forma, você queria/quer a felicidade dela, e tentou fazer com que ela encontrasse essa felicidade toda exclusivamente em você, e ela encontrou, mas por pouco tempo. E por algum motivo, as coisas mudam, e você deixa de ser essa exclusividade dela, e talvez, dali um tempo, você passe a ser a felicidade de outra pessoa, até que você encontra uma, que as vezes, sem perceber, a felicidade que ela encontra em você não passa nunca, e a felicidade que você encontra nela também não.

Talvez, num dia qualquer, você volte a sentir essa felicidade por mim. Sempre vai restar uma minúscula esperança, que por mais que eu queira, não consigo tira-la de mim. 
Talvez, se um dia você ler aquela carta com aquelas palavras que nunca leu, ou por algum outro motivo, a felicidade volte. E daí ninguém mais sabe, se você vai sentir por um curto tempo ou por todos os seus momentos.