Aprovar sem provar

Você provavelmente já deve ter ficado com aquele pé atrás quando foi comer alguma coisa que a sua visão “não tenha aprovado”. Se já, certamente seus pais tenham lhe retrucado com a famosa frase que: não se pode falar que não gosta de algo sem ao menos provar antes.
Pois bem, o famigerado ENEM já está a menos de 100 dias de ser realizado pelos vários milhões de inscritos e se você sabe pelo menos o básico de como funciona tal prova, sabe também, que é um tanto complicado e cansativo.
Para garantir uma vaga em alguma faculdade, é essencial que você tenha um desempenho satisfatório na prova, a ponto de preencher os requisitos de algum curso e também conseguir se manter qualificado entre as vagas disponibilizadas para quem optar concorrer. A primeira vista, parece muito simples, apenas escolher um curso, estudar, ter foco e pronto, estarás com a vida feita pois trabalhará com o que já tem formação e gosta de fazer.
Mas até chegar no ponto de -escolher o curso- demanda um pouco mais de trabalho do que apenas sortear uma bolinha com o nome de uma profissão ao acaso. Porém, o método como o ENEM funciona, acaba sendo esse método de sorteio mesmo, pois não temos nenhuma explicação avançada de como funcionam os cursos.
Além disso não temos aulas sobre profissões durante nossas vidas. Não temos um acompanhamento direto com o quê as pessoas trabalham no dia-a-dia. Não temos um especialista em empregos, que convivem conosco para saber todos os nossos gostos pessoais ou mesmo as nossas facilidades de lidar com certos problemas. Não sabemos o que iremos enfrentar na faculdade, apenas por escolher um curso dentre tantos. Não sabemos se vamos gostar do curso, sem nunca ter visto nada do mesmo na vida. Não há como aprovar sem provar.
Escolhemos com base em elementos muito superficiais em nosso dia-a-dia, no que achamos que vamos gostar, no que achamos que não vai ficar enjoativo mesmo trabalhando dia após dia. Inclusive, isso me lembra uma frase que um professor meu colocou em uma prova certa vez:
Escolha um trabalho que ame e não terás de trabalhar nunca.
Gosto muito dessa frase. Porque realmente, eu olhava para o modo como esse professor nos dava aula e notava como era diferente dos outros. Ele colocava mais amor naquilo que estava fazendo, nunca estava triste, sempre empolgado em dar mais uma aula, em nos passar seu precioso conhecimento e nunca estava com cara de desgosto nem nada parecido, não dava a entender que apenas estava ali para receber seu salário na metade do mês. Mas haviam sim, alguns que apenas davam aula para cumprir a tabela e ter seu método de sobreviver.
Isso não é só com professores não, são em todas as áreas. Pessoas que se esforçam nos estudos, que gastam com cursos pré-vestibular, que são incentivados pelas pessoas próximas, mas que quando finalmente conseguem a vaga, vêem que após alguns meses no curso, não era parecido com o que lia na internet ou as pessoas lhe descreviam e acabam abandonando o curso. E se você está pensando que “Você não é obrigado a fazer um curso superior e pode muito bem sair por aí procurando um emprego que goste!”, eu lhe dou a razão. Realmente ninguém é obrigado a isso. Mas os tempos atuais basicamente exigem. Para arrumar um emprego você precisará de um currículo, logo terá de preenchê-lo com algo e lógico que a empresa selecionará os bem mais preparados para os cargos, cujo estes, provavelmente tiveram de passar pelo ensino superior.
Nosso sistema de ensino superior não é dos melhores. Muito pelo contrário, é falho. Escolher um curso não é simples. Saber se ele é tudo o que você pensava, muito menos. E adentrar nele, mais complicado ainda. Afinal nosso sistema exige que tenhamos conhecimento de todas as áreas para poder entrar em um curso de área específica. Isso faz tanto sentido quanto você medir a inteligência de um cadeirante pela velocidade que ele corre. Ele sempre achará que é burro, quando na verdade, pode ser um dos maiores gênios que a humanidade poderia ter. Inclusive, Stephen Hawking manda abraços pra esse nosso sistema de análise de habilidades super-efetivo.