Aqueles caras.

Vivemos em um país livre. Um país livre dotado de muitas culturas, dialetos e opiniões diferentes, mas se você tem uma ideia diferente sobre política, já é logo chamado de ‘petralha’ ou ‘coxinha’. Um país livre para religiões, onde no senado há um crucifixo pregado na parede. Um país livre para pensamentos econômicos, mas se você diz ser socialista, as pessoas já te olham como o diferentão. Em resumo, um país onde você é livre, não é mesmo? Inclusive na tão famigerada hora, onde a família se interessa em saber o curso que você vai querer no ensino superior. Você é totalmente livre para fazer aquilo que mais se interessar.

Eu cresci a vida toda falando que ia fazer algo na área da construção civil, visto que, meu pai trabalha com o mesmo, olhando isto, logo gostei. Gostei. Será mesmo? Acho bem interessante, não vou mentir. Mas há um paralelo quanto a isso. Este paralelo se chama cinema. Este paralelo tem um mundo próprio. O cinema, é algo muito extenso, há muito ainda a se fazer, há muito ainda a se descobrir, há muito ainda a se produzir, há todo um mundo ainda…

Mas para adentrar nesse mundo, não é tão fácil tanto quanto ele é esplêndido. Meus pais dizem que sou livre para escolher o curso que gosto, mas se me remeto ao assunto sobre a faculdade de cinema, meu pai logo vem com as suas muitas histórias, de engenheiros civis que se deram bem na vida, do quão ele gosta do que faz, do quão difícil seria minha vida quando eu terminasse a faculdade, do quão complicado seria encontrar um emprego, e as histórias para dizer que “vai dar tudo errado se você escolher isso”, não acabam, mesmo sendo nas entrelinhas (ou no caso, no tom de voz usado para me contar tudo).

Minha mãe até que me apoia, mas no final das conversas, vem sempre aquela pergunta: “Tá filho… Mas aí você vai fazer o quê da vida formado nisso?”, não é de propósito, sei que não é, mas ouvir isso dá sempre aquele puxão pra baixo no ânimo. Minha melhor amiga, vê potencial em mim, diz que sou muito focado naquilo que tenho vontade de fazer, “[…]muito empenhado, gosto disso.”, disse-me certa vez. Mas, também não vê muito futuro em um cineasta, e tudo bem que ela me apoia em tudo que faço, mas o apoio acaba sendo maior quando “resolvo”(ideia passageira que geralmente dura uns 2 dias pra cada decisão) que irei cursar engenharia. Porém, é bom ela expressar isso, o que mais gosto nela é sua sinceridade.

Com tudo isso, é fácil perceber que o apoio é muito maior, para o que se é certo na sua vida. “Engenheiro não passa fome filho.”, não sou formado ainda, mas creio que formados também não passam. A vida é melhor quando se escuta coisas que te deixam melhor, que te deixam mais confiante. As vezes é bom levar um tapa no ombro, ver um sorriso meio de lado e escutar que tudo vai dar certo. É bom ver aquele seu amigo batendo na mesa, sem medo de ser feliz, dizendo que vê potencial em todos ali que estão presentes. Mas diz com vontade, sem ter noção da tamanha felicidade que ele consegue transmitir com suas boas vibrações, do quão bem ele leva a vida e do quão bem ele deixa nossas vidas. Este mesmo cara, já lhe disse uma vez que vejo muito potencial nele, mas digo e repito. Clichê é dizer que eu conheço e saio pra dar um rolê com as melhores pessoas que existem, mas a vida até onde se sabe, é só uma, então…temos de arriscar. E é por isso que eu arrisco com convicção de que estou certo, de que aqueles caras… ainda vão ser grandes caras, levando méritos por grandes realizações.