Você é uma pessoa Boa ou Boazinha? (Perfeccionismo: o que é e como lidar com ele? — parte 2)

Eu realmente acredito que a melhor forma de lidar com alguma coisa é conhecer ela melhor, e por isso eu gosto muito de perguntar para os meus pacientes para que eles fazem o que fazem. “Para que” e “por que” são duas coisas bem diferentes, percebam. Eu posso ter mil razões (muitas completamente razoáveis) para fazer algo que me incomoda. Mas quando eu penso para que faço alguma coisa, entendo a função que aquilo tem na minha vida. E uma das coisas que eu percebo muito nesta necessidade enlouquecedora de sermos perfeitos, é que a resposta para essa pergunta é que queremos ser perfeitos nos olhos do outro. Essa é a referência: nos sentimos bons quando os outros estão contentes com a gente.

Mas se você parar para pensar e olhar mais a fundo para essas duas coisas, talvez você consiga diferenciar entre duas maneiras de agir: a de ser uma pessoa que tenta ser BOA, e a de alguém tentando ser perfeita para o outro, ser “gente boa”, “querida”, “adequada”, “admirada”, “impecável” — algo que eu chamo de ser uma pessoa BOAZINHA. A diferença é mais ou menos assim:

BOAZINHA
• Faz aquilo que é esperado pela sociedade (e cada um interpreta isso da sua maneira, claro);
• Não quer decepcionar ninguém, nunca (em especial os seus pais, sejam jovens ou adultos);
• Não leva em consideração o que sente e quer (pois o que o outro sente e quer é sempre mais importante).

BOA
• Respeita as pessoas — inclusive a si mesma;
• É honesta — inclusive com o que realmente sente e quer;
• Se responsabiliza pelos seus sentimentos — e permite que os outros façam o mesmo com os seus, mesmo quando dói.

Apesar de essas duas coisas não serem completamente opostas, é bem difícil conseguir agradar a todos e ser honesto consigo ao mesmo tempo. É bem difícil nos responsabilizarmos pelas nossas emoções quando agimos o tempo todo como se as emoções dos outros fossem nossa responsabilidade. Na prática, é quase impossível ser boa e boazinha ao mesmo tempo.

E quase tão difícil quanto isso é não cair nessa armadilha da vontade de agradar, de ser legal, de não decepcionar. Até porque, em geral, estamos tentando ser perfeitos para podermos nos sentir bons (e olhando para isso agora, não faz tanto sentido assim, não é?). Não é fácil ter coragem de ser imperfeito nos olhos dos outros. Mas se pergunte o seguinte: qual desses dois tipos de atitude vai te fazer mais feliz?

(Se você perdeu as outras partes desta série, você pode encontrá-las aqui: Parte 1 — Perfeccionismo: o que é e como lidar, onde começamos a conversa falando sobre o que de fato significa o perfeito; Parte 3 — Quem manda em você?, uma análise do seu crítico interno; e Parte 4 — Como se tratar com mais gentileza, onde eu dou dicas para como lidar com tudo isso.)

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