Cisma

A grande duvida. O questionamento que me persegue durante toda a vida e que vem em certos momentos travestido, diferente, transformado. Mas sempre a mesma questão.

Existia uma linha que sempre atingi. Em tal limiar eu podia ser tudo aquilo que o tal questionamento trazia, onde todas as respostas eram SIM e, mesmo sendo uma resposta específica, ela sempre se mostrou extremamente neutra perante tais situações que essas dúvidas me colocava e isso sempre foi algo confortante, e suficiente.

De tanto usar essa linha imaginaria, ela foi se esgotando e aquele SIM não se faz mais eficaz. Não existe mais a neutralidade em que eu me encontrava há tempos, por mais que eu tente alcança-la. Por mais que eu tente viver da maneira que seria o mais “correto”, não de forma social, mas de tipo interno, visto que isso seria o meu ideal para alcançar o mais pleno amor. Porém de forma infortuna, sou obrigado a seguir tal neutralidade.

Pequenas linhas, palavras e rabiscos me levam a uma possível resposta das perguntas que ecoam em meu ser, fazendo meu coração palpitar e um sorriso surgir em meus lábios ressecados do inverno, onde, se permitir prender-me a tais fúteis detalhes, lagrimas podem vir a escorrer dos meus olhos, demonstrando não apenas a plenitude que sinto com tal resposta, mas também devido ao receio do Tempo, do passar dos solstícios e equinócios, da chegada da Vida e a partida que a Morte trás.

Do futuro.

A única forma de alcançar os produtos das incertezas que me rodeiam é me despir por completo, tirar acessórios, roupas, materialização, pele e osso. Encontrar-me com minha essência vital da presente condição. Se isso fosse um trabalho de fácil êxito eu já teria o feito, mas para poder abrir-se é preciso encontrar pequenas cicatrizes que formam fechaduras para encontrar mais e mais camadas de pele. Mais e mais pequenas cicatrizes que queimam ao serem tocadas com suas chaves. E tal ato te leva às mais antigas catacumbas do espírito, onde animais noturnos residem e estão prontos para atacar até mesmo (e principalmente) aquele que os colocou lá.

Eu.

O mais assustador de toda essa jornada em busca das resoluções para essa simples pergunta não é o que será encontrado ao final do caminho, mas o que virá a acontecer após pegar o ovo dourado que contém a sabedoria que deseja absorver. Como já dito, o tempo.

Quanto mais busco fugir de tais questionamentos, maior sua pressão é sobre mim, e para piorar, o tão temido Cronos parece se alongar a cada passo maior que tento dar para longe de tal questionamento ou para “atalhos” rápidos em busca das respostas.

Ela berra, sussurra, brama, ruge, clama. É impossível fugir dela, pois sua morada sou eu. Não é uma questão minha, sou eu quem pertence a ela.

Cada letra composta em si parece durar horas enquanto ela repete dentro de mim seus ciclos de questionários.

O que és? O que sou?

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