Dor de doar

A luta diária que consome um pouco das almas insólitas que vagam pela crosta cria pressão sobre a mente e o pulsante coração de cada um dos espectros.

Em vão, todos buscamos a adaptação dos fatos vivenciados para com as sensações que prezamos e que nos acostumamos. Em vão, muitos se cansam de tais batalhas travadas com o intuito de mudança. Em vão, esgotam-se ao se doar e em troca nada receber.

Dói.

Tal dor é causada pela constante pressão dos fatos ocorridos precedentes das disputas que cada ser busca em seu interior para então emanar ao público que acompanha as cansativas corridas em busca do que acreditamos ser o melhor.

Dói também ver que tal luta antes aplaudida e comemorada, passa a ser vista com olhos de indiferença e ausência da empatia necessária para criar forças e continuar o trabalho necessário para que possamos acalmar a maré que nos arrasta para o lado oposto do rumo que tomamos.

Um relaxa enquanto o outro navega.

Acompanhar tal velejo não é sinônimo de nadar junto. Acompanhar não é estar.

Dói.

A exaustão da luta solitária aumenta a ponto de derrubarmos do barco e dar-se as ondas, sem ter forças para nadar, sem se importar das feridas que queimam com o sal das águas ou a quantidade de líquido que entra na boca e nas narinas, indo para o estomago e o peito.

O Coração…

Dói.

Tais dores passam a permitir o controle das águas, agora frias, o que não impede que elas continuem a queimar e adentrar os poros, mas agora sendo controladas e aprendendo a usa-las para curar-se de tais

Dores.

O barco continua próximo, e é realmente sedutor, mas é importante permitir a queimadura e cura das águas para aprender a ter controle sobre elas.

É importante saber doer para poder (re)doar.