O que você Prefere Trem ou Carro? Era uma vez…

Maria Fumaça — Tiradentes — MG

Era uma vez.. uma cidade onde todos os seus habitantes só se locomoviam de trem. O trem urbano atravessava boa parte da região. Apesar de ser um transporte lento, era bem eficiente e todos sempre chegavam ao seu destino sem maiores contrariedades. Ao usarem o transporte coletivo, as pessoas conversavam, faziam amigos e eram solidárias umas com as outras. O trem era como um ponto de encontro comunitário, além de ser um meio de transporte bom e barato.

Certo dia, um homem chegou a cidade trazendo uma inovação tecnológica. Ele trazia a invenção do automóvel. Muitas pessoas ficavam admiradas com esse novo invento.

O vendedor dizia “Este é um meio de transporte onde ninguém precisa depender dos trens. Você pode andar sozinho, para onde quiser, sem dividir seu espaço com outras pessoas.”

O vendedor dos carros fez um discurso que impressionou a muitos. Em sua fala, ele sempre enfatizava a independência que o automóvel trazia em relação ao coletividade. Algumas pessoas julgaram que essa era uma atitude um pouco egoísta, onde os interesses individuais eram colocados acima dos interesses coletivos. Mesmo assim, quase todos adoraram a ideia e muitos já foram comprando seu carro.

Os anos foram passando e mais pessoas foram adquirindo seus automóveis. As pessoas que andavam nos trens observavam os motoristas nos carros, começaram a se comparar a eles, e desejaram também ter o seu “transporte individual”. Esse novo veículo conferia um certo status, pois destacava algumas pessoas do coletivo, dando uma ideia de vanguarda, distinção, elegância, sucesso, sofisticação e até superioridade de uns sobre os outros.

Décadas foram passando e cada vez mais e mais pessoas foram adquirindo seu carro. Começou então a ocorrer um fenômeno curioso: foi o início dos engarrafamentos.

Muitas pessoas passaram a usar o transporte individual e, com isso, as ruas da cidade começaram a ficar lotadas de automóveis. O transporte coletivo foi diminuindo, até que quase acabou. Todas as pessoas passaram a ter seu próprio carro e não querer mais andar de transporte comunitário. Com o passar do tempo, os engarrafamentos viraram rotina e ninguém mais passou a conseguir se locomover na cidade. Quanto mais as pessoas pensavam em usar o transporte individual, mais as ruas ficavam engarrafadas e cada vez mais ninguém conseguia se deslocar pela cidade.

Vendo a situação catastrófica, o homem chamou todas as pessoas da cidade e fez um discurso enfático dizendo:

“Caros amigos, desde que começamos a pensar no individual em detrimento do coletivo, as ruas ficaram lotadas de indivíduos disputando seu espaço, concorrendo pela locomoção na cidade. Parece que nosso individualismo e egoísmo nos levou a abandonar o coletivo e buscar algo melhor nos interesses individuais. Da mesma forma que quando mais pessoas buscam um automóvel e as ruas ficam lotadas e ninguém consegue se deslocar, quando todos buscam apenas seus próprios interesses de forma egoística, o interesse de um vai anulando o do outro e todos se anulam mutuamente. Quanto mais transporte individual, menos pessoas conseguem andar. Da mesma forma, quanto maior nosso egoísmo, mais bloqueada e conflituosa fica nossa sociedade. Isso nada mais é do que uma consequência do nosso egoísmo e individualismo.

Precisamos novamente valorizar o coletivo em detrimento do individual, pois assim, voltamos a ser uma comunidade, uma fraternidade, tudo flui melhor e seremos mais felizes.”

A população da cidade compreendeu a mensagem e todos passaram a dar mais valor ao coletivo em detrimento dos interesses puramente individuais.

O que Você Prefere Trem (Coletivo) ou Carro (Individualismo) ?

Todos Somos Um.

Reginaldo Silva

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