‘’Desconstrução’’ v Medo.

Desconstrução é a palavra que anda permeando os anos de 2010 à 2016 (e espero que continue além disso, sinceramente). Mas o que se constitui ‘’desconstrução’’ no âmbito social?

Significa despir-se de noções pré-estabelecidas pela sociedade e uma busca pelo que seria algo próprio. Basicamente, é limpar sua mente dos livros velhos da época da sua vô aonde um monte de conceitos, que se analisados bem, são estúpidos, e compor um novo tipo de pensamento, baseado em experiências e uma abertura maior à diversidade, seja ela de qualquer tipo, sexual, gênero, de aparências e comportamentos.

Mas sejamos sinceros, desconstrução é um ato tão complicado que nunca vai existir aquele famoso ‘’100% desconstruídão’’. Isso é impossível.

Sim, você vai soltar uma piada machista, sim, você vai rir da piada de gordo e por aí vai.

E estou longe de ser desconstruído, apenas estou aberto à novas pessoas, ideologias, pensamentos e afins.

Admito que mudanças só vêm a mim quando há-se a necessidade de tal. Nunca é por vontade própria, trata-se naturalmente de uma sobrevivência. Por isso estou lentamente vestindo a cor do PT revendo meus pensamentos e dos meus semelhante sobre assuntos diversos, todavia, ainda sim, vou infelizmente acabar cedendo às malditas piadas de teor duvidoso e ao…

Medo.

Por que medo?

Simples. Porque ainda não alcancei um estado de graça superior à tantas coisas… Várias por sinal.

Por exemplo, veja a dicotomia.

Eu já tive experiências homossexuais. E quando digo homossexual, pense que foi praticamente meu primeiro contato com o ‘’meu lado sexual’’ (que anda dormente, por sinal) e não me vejo tendo problemas em dizer que seja bissexual, afinal, nunca tive problemas em beijar mulheres e não tenho problema nenhum em beijar homens, e por aí vai.

Mas eis que existe um pequeno problema. Atualmente, eu ‘’namoro’’ (imagine minha mão gesticulando o famigerado ‘’mais ou menos’’, algo que posso abordar algum dia que isso venha a me incomodar), e minha namorada é bi.

Legal, certo? Não vemos problemas em dar beijos em pessoas qualquer, aceitamos (quase) tudo.

Na prática? Meu medo envolve uma dose de machismo meu com bifobia.

Eu praticamente me cago de medo toda vez que ela sai de casa pra ir pra qualquer lugar, afinal, ela ‘’topa’’ (Me entenda, leitor, meu racional tem plena consciência de que isso é ridículo, mas ainda é o que sinto, tenha paciência comigo, não ando em boas fases) tudo? Eu ainda não tenho seios (tenho peitinhos protuberantes resultante da gordura, é válido?) e ainda não tenho o molejo do rapaz de 1,75~1,85 com carisma e magia pélvica.

Não ajo como um namorado ciumento e nem tenho raiva dela por isso, tenho raiva de mim. Mas não importa, isso provêm de algo ainda mais profundo.

A falta de confiança.

Naturalmente, como homem marginalizado passando longe da beleza estética e física, longe sequer do magistral intelecto superior que já tive (fui uma criança/pré-adolescente incrivelmente inteligente, hoje me sinto uma sombra do que já fui, já se sentiram assim?), sou tão descartável quanto uma nota fiscal, o que me torna incapaz de confiar nela e além de tudo, incapaz de confiar em mim, criando um problema típico, o de agressividade passiva.

Leitor, se veio aqui por causa de desconstrução, eu te enganei, perdão, ainda é pra falar sobre mim, me desculpa só dessa vez? Por favor?

Enfim, contando que nesse ponto, você já me odeia por ser tão abusivo contigo, confio que já tenha me deixado sozinho, portanto, posso continuar minha lamentação crente de que isso servirá pelo menos, para mim.

Isso não é algo que eu vá perder tão cedo, pelo menos, por um bom tempo (se ao menos, ela fosse feia como minha ex era, pelo menos, estaria seguro, sim, estou sendo babaca, me deixa, estou sendo sincero, melhor um babaca ciente e tentando melhorar, do que um babaca ignorante), e isso não é algo agradável. É uma sensação de estar sempre acuado, sempre inoperante, descartável.

Junte ao fato dela conseguir ser ainda mais alheia ou demonstrar sentimentos, além de não ser tããão aberta assim.

(Sim, eu sei que você comprou um celular e não me passou seu número, J. Eu sei, advinha quem já criou uma teoria da conspiração pra explicar isso? Sim, eu também mantenho seu Facebook sob observação. Freak, mas ainda não te culpo da minha paranoia, ❤)

Não me surpreendo em nada se por um acaso, por puro medo, venha a ativar meu modo de auto-destruição e acabar com mais um relacionamento promissor por causa dos meus próprios medos.

Lição de moral

Conheça seus demônios e acima de tudo, dê nomes para eles. Nomes tem força, ajuda a reconhecer um velho inimigo.

(Fora) Temer é normal, somos criaturas medrosas e coragem nunca passou de uma forma de esquecer momentaneamente seus medos, mas não se deixe guiar por eles (como acabo fazendo) e não permita que eles façam perder coisas que lhe importa (como acaba acontecendo comigo, por minha e única culpa).

E desculpa, J. Você já conhece esses medos, só precisava reescrever sobre eles de novo. Sabe que merece coisa melhor.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.