Eis o mistério da Fé

Fé e modernidade

A teologia católica define a fé como uma adesão da inteligência à verdade revelada por Jesus Cristo, conservada e transmitida aos homens pelo Magistério da Igreja.

Mas não é disso que vamos falar aqui, tenho uma questão, é possível religião sem fé?

Em um processo histórico vemos a ritualística como um elemento inseparável a humanidade, no neolítico com xamanismo de caça, na antiguidade como culto de mistérios, pós vida, mitos e transes de heróis e deuses. Seja nas epopeias, hinos ou reflexões os antigos marcaram sua relação com místico de uma forma um tanto peculiar para quem cresceu em uma cultura Abraâmica.

Heracles, Olisses, Orfeu, transbordam sua própria narrativa, mais do que historias mais do que narrativas, deidades e heróis conectam o que tem de mais intimo com a humanidade, a ritualística não eraem sentir o corpo e o sangue de seus heróis ou o contato com os mesmos em um plano eterno intangível.

A relação com entidades, seres e entidades sobre todas as coisas trazia uma noção de nuance, fragmento, exercia, o sagrado era visto como fragmentado, com varias imagens, ecos, algo belo e grande, ao mesmo tempo amedrontador.

Os gregos acreditavam que factualmente entidades, deuses, heróis e monstros existiam? Provavelmente sim

Mas a questão é que o rito não depende disso, o rito é a concretização do mito, as ofertas, hinos danças, incensos não prometiam a comunhão com o reino do céus, e sim com os infindáveis reinos interiores, não importa se todas as entidades são invenções de Homero, são títulos e nomes para aspectos da própria existência.

Afinal Nada adianta manter a chama de Hesita (deusa do lar) acesa se atento contra minha mãe, nada adianta fazer oferendas a Hera (deusa do casamento) se adultero e mentir, ou mesmo louvar e cantar Hefesto(deus do trabalho) e viver na indulgencia.

Eu sou politeísta, gosto de pensar que eles existem, que jupter rege o olimpo e o cosmos, que Hestia protege a minha família nas noites escuras, que o bom espirito me guia para fartura, eu não sei se que eles existem, ou não, sinto que sim, SINTO sei que, sinto não afirmo que, sinto e não: “tenho adesão da inteligência à verdade revelada por Jesus Cristo, conservada e transmitida aos homens pelo Magistério da Igreja.”

E é esse o extremo inconciliável entre a modernidade cientifica e as tradições religiosas abraamicas, que são revelações, o ponto chave de toda essa crença, não é a vida, nem os aspectos da mesma, não é a morte nem os mistérios da mesma, não é o individuo nem a profundidade do mesmo, tudo que é desenvolvido na logica Judaico cristã se constrói no frágil pilar da “revelação” de um absoluto, que infindáveis (e contraditórios) manuscrito tecem sua Ortodoxia ( “aquele que tem a opinião certa”, de ORTHO , “reto, verdadeiro, correto”, mais DOXA, “opinião,”)

Observemos a conclusão do hino Orfico a Morfeu

“Inclina-te à minha prece com teu aspecto favorecedor”

Recuperemos a noção de aspecto, de nuance, de fragmento, assim no nosso intimo silencio talvez toque-os o sagrado

Socrates nunca teria tanto gosto em proferir sua máxima, se conversasse com o homem moderno.

“Conhece te a ti mesmo”
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