É preciso saber perder

Há 2 anos, conheci um cara bacana, atencioso, divertido, bonitão, trabalhador e em um relacionamento sério com a língua portuguesa. Quase a perfeição. Nos relacionamos por um tempo, mas o relacionamento acabou esfriando. Eu lamentei porque gostava dele, só que como a minha política é a do “quando um não quer, dois não brigam”, resolvi trazer essa máxima para a minha vida e a adaptei para uma situação mais branda. Concluí que o cara devia ser feliz do jeito que ele achava melhor. Não sou de forçar a barra.
O tempo passou, eu fiz um esforço para esquecer, esqueci, mas, um ano depois, lá estava eu de novo interessada em continuar de onde tínhamos parado. Eu precisava puxar papo, precisava ser criativa para alcançar meu objetivo. E fui. Modéstia à parte, fui criativona. Compartilhei com alguns poucos amigos como foi essa abordagem certeira e recebi muitos elogios por isso.
Contato recuperado, novas conversas pelo WhatsApp e a esperança de que daquela vez ia dar certo. Não tinha como dar errado! Só que a vida… sabe como é a vida, né? A vida não é fácil. A vida tratou de botar um obstáculo em cada uma das nossas tentativas de reencontro. Viagens de trabalho, compromissos inadiáveis, idas à cidade-natal para estar com a família em datas especiais, problemas do lado de cá, problemas do lado de lá… Quando eu podia, ele não podia. Quando ele podia, eu não podia. E foi assim por alguns meses.
Nas nossas conversas, prometíamos que nos veríamos de qualquer jeito antes do fim do ano. Não aconteceu. 2016 chegou e esfriamos de novo. Aí a vida – sempre ela – aprontou mais uma vez. Veio sob a forma de feed de notícias do Facebook e jogou na minha cara, sem dó, a notícia de que ele estava em um relacionamento sério. Estava feliz.
Foi uma porrada. Entrei no perfil dela (sim, a gente se presta a esse tipo de coisa) para tentar achar algum defeito, afinal de contas, a gente até aceita perder o jogo, mas tenta fazer justiça de alguma maneira. Entrei e… linda. Cara de gente boa, sorrisão e linda. Pensei: “deve escrever errado, né? Deixa eu ver o que ela anda escrevendo…”. Escreve bem a moça. E tem bom humor. E ele parece estar verdadeiramente apaixonado por ela. Ela só tem um defeito: tem nome composto que não combina. É uma coisa meio Sarah Jessica Parker, sabe? Adoro SJP. Acho fina, acho elegante, acho poderosa, mas “Sarah Jessica” é de doer.

Foi aí, então, que eu fiz uma dura constatação: boa troca a dele. Tá certo! Eu teria feito a mesma coisa. Nem é papo de gente com baixa autoestima, não, viu? É papo de quem lamenta, mas sabe perder.