A nova idade

SkinCeuticals

Tenho a estranha mania de entrar num novo ano já considerando a idade que completarei apenas no meio dele. Na segunda metade, pra ser mais precisa. Em 1º de janeiro deste ano, por exemplo, eu já me considerava uma mulher com 36 anos, embora só faça aniversário em julho, o que, com uma margem de erro pra mais ou pra menos dias, não sei direito (sou de Humanas, posso ter errado nessa conta), está mais perto do ano seguinte que do em curso. Não faz sentido, eu sei.

A vida toda eu fui assim. Minha mãe também. Minha mãe tem (ou tinha?) a estranha mania de jogar a idade pra cima só pelo prazer de ouvir “nossa, parece menos!”. Manias estranhas relacionadas à idade, pelo visto, são hereditárias. O problema é que, hoje em dia, eu esqueço que a idade que eu antecipadamente me dou ainda não é a real.

Outro dia eu levei um susto quando me dei conta de que não farei 37 no próximo dia 4, mas, sim, 36. Ainda. Ou já, considerando que eu sou uma jovem senhora já flertando com a menopausa; que estou mais perto dos 40 que dos 30; que tenho dores que não existiam até outro dia; que sinto uma dor chata nos quartos quando resolvo dançar ou correr sem me aquecer antes; que lido com a perda de viço da pele – escancarada sempre que passo lápis de olho – e, pra não dizer que só falei de minhas pequenas tragédias, que conquistei uma fantástica maturidade pra lidar, com muita serenidade e leveza, com acontecimentos que antes me perturbavam, mas que hoje me levam à simples conclusão de que não foi dessa vez, uma pena, tudo bem, fazer o quê? Nada como ser uma mulher madura e ver alguma graça até nas derrotinhas. Nada como amadurecer e achar isso bom. Nada como ter 36 anos… ops, 35. Ainda. Já.

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