A saia amarrotada

Abri o guarda-roupa e peguei a saia mais relegada de todas, aquela que para usar é preciso passar a ferro, coisa que eu costumo me negar a fazer por ser contra os meus princípios. Peguei. Passei. Passei uma, passei duas, passei três vezes. Não ficou muito bom, mas dava para ir à rua com ela sem perder a dignidade.

Saí de casa. Entrei no BRT que, para variar, estava lotado. Mal tinha espaço para entrar, mas provei que, pelo menos para mim, o impossível não existe. Fui amassada por todos os lados, servi de apoio a uma moça baixinha que, na impossibilidade de alcançar o ferro do alto para se equilibrar, agarrou no meu braço mesmo. Já eu segui viagem abraçada aos meus colegas de coletivo. Vivi ali, naqueles 40 minutinhos, o horror da intimidade forçada com desconhecidos. Só quem depende de transporte público sabe do que eu tô falando.

Cheguei, há pouco, na Alvorada. A minha saia? Bom, estou evitando olhar para ela, mas na última vez que bateu a coragem, tive a impressão de que ela está mais amarrotada do que na hora em que eu a peguei no guarda-roupa. Perdi a dignidade.

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