Ei!

“Ei, psiu, caiu aí, ó!”, disse um cara em algum canto da sempre lotada plataforma da estação de Madureira. Eu, que cresci ouvindo a minha mãe dizer que tenho a mão furada por viver deixando cair tudo no chão, o que, infelizmente, é verdade, parei, tateei os bolsos da calça e olhei no chão ao redor para ver se, na confusão do desembarque do BRT, tinha deixado cair o celular, o cartão do ônibus, a chave de casa ou uma nota de R$100 que eu nem tenho na carteira, muito menos hoje, tão longe do último pagamento. Mas olhei assim mesmo. Não custava. Aí ele completou: “caiu o preço do Cheetos, hein!”

Fui ingênua, fui trouxa e, mais do que tudo, fui demasiadamente esperançosa.

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